A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, mirando figuras centrais ligadas à rede varejista. Entre os alvos estão o bilionário Beto Sicupira e Paulo Lemann, filho de Jorge Lemann, em uma investigação que apura uma fraude bilionária.
A ação busca esclarecer detalhes sobre o rombo de R$ 54 bilhões que abalou o mercado financeiro brasileiro. Além dos acionistas da 3G Capital, a operação também envolveu mandados de busca e apreensão relacionados a executivos de grandes instituições bancárias.
O caso tomou novos rumos com a reação imediata do setor financeiro, que nega qualquer conivência com as irregularidades apontadas. Conforme divulgado pelo Estadão, os bancos se defendem afirmando que também foram prejudicados pelo esquema.
Bancos negam conivência em rombo bilionário da Americanas
A defesa do setor financeiro
O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, manifestou-se de forma contundente contra as tentativas de responsabilizar as instituições pela fraude da Americanas. Ele questionou como os bancos seriam cúmplices de algo que lhes causou prejuízos reais.
Segundo o executivo, classificar os bancos como coniventes é um pensamento ilógico, visto que as perdas financeiras superam qualquer lucro obtido com o cliente no passado. Para Maluhy, o sistema bancário é, na verdade, uma das grandes vítimas deste cenário.
O mecanismo da fraude contábil
A investigação da Polícia Federal foca na ocultação do endividamento da companhia por meio de operações de risco sacado. Esse mecanismo permitia que a varejista não registrasse corretamente suas dívidas bancárias, maquiando o balanço oficial da empresa.
Maluhy explicou que os bancos não tinham visibilidade sobre a má-fé na contabilidade da empresa. A discussão na época girava apenas em torno da classificação técnica das dívidas, sem que houvesse suspeitas de que passivos inteiros estavam sendo escondidos.
Impacto nos grandes bancos brasileiros
Instituições como Itaú, Bradesco e Santander estão no centro do debate sobre a fiscalização dessas operações. A PF apura se houve coordenação para ocultar irregularidades, algo que os executivos das instituições financeiras refutam de maneira enérgica.
“Se você puser na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é supernegativo”, afirmou Maluhy ao destacar que os ganhos anteriores não compensam o rombo. A responsabilidade final pela veracidade dos balanços, segundo ele, é exclusiva da companhia.
Próximos passos da Operação Disclosure
A nova fase da operação marca um avanço significativo ao atingir o círculo íntimo dos acionistas de referência. A coleta de provas deve determinar o nível de conhecimento dos controladores sobre as práticas ilícitas realizadas pela antiga diretoria.
O mercado financeiro segue atento aos desdobramentos judiciais e às consequências para a governança corporativa no país. O desfecho desta investigação poderá redefinir as regras de transparência e os limites de responsabilidade entre grandes empresas e seus credores.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir a matéria completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







