O setor de proteína animal acaba de ganhar um fôlego extra nas negociações internacionais, envolvendo um acordo estratégico entre vizinhos do Mercosul.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu publicamente a disposição do Uruguai em transferir parte de seu limite de vendas para o mercado asiático.

A parceria estratégica busca assegurar que o produto nacional mantenha sua competitividade no gigante asiático, conforme divulgado pelo Estadão.

Uruguai cede cota de exportação de carne bovina ao Brasil

O encontro bilateral entre Lula e o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, ocorreu em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, onde o tema central foi a exportação de carne bovina.

A proposta uruguaia consiste em liberar o uso do excedente de sua cota de vendas para a China, permitindo que o Brasil utilize esse espaço para exportar sem enfrentar tarifas pesadas.

Estimativas apontam que o volume cedido gira em torno de 80 mil toneladas, o que representa um alívio importante para os produtores brasileiros que já estão próximos do limite anual.

O desafio da sobretaxa chinesa no setor

Desde o fim do ano passado, a China estabeleceu limites rígidos para a entrada de carne bovina estrangeira, visando proteger os criadores de gado locais de uma possível desvalorização.

Para o Brasil, o teto estipulado foi de 1,106 milhão de toneladas para 2026, com uma sobretaxa de 55% aplicada sobre qualquer volume que ultrapasse essa marca específica.

Dados recentes do governo chinês indicam que o Brasil já preencheu cerca de 90% dessa cota, o que gerou uma corrida dos frigoríficos para embarcar o produto antes do bloqueio tributário.

A baixa utilização da cota uruguaia

Diferente do cenário brasileiro, o Uruguai possui uma cota de 324 mil toneladas, mas utilizou menos de 25% desse total até a metade do ano, gerando uma folga considerável.

Essa disparidade permitiu a costura diplomática para que o Brasil assuma o volume não utilizado pelo vizinho, mantendo o fluxo de exportações de carne bovina aquecido e lucrativo.

O ex-ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, já havia sinalizado que o remanejamento entre países parceiros seria uma saída viável para evitar prejuízos ao agronegócio nacional.

Validação da China e impactos nos frigoríficos

Apesar do acordo entre os dois países, a palavra final sobre a transferência das cotas pertence ao governo da China, que faz a gestão direta dos limites de importação de cada nação.

Interlocutores do setor acreditam na aprovação, já que o volume de 80 mil toneladas é considerado pequeno e não deve desestabilizar o mercado doméstico chinês de carne bovina.

A Abiec ressaltou que, embora a iniciativa seja positiva, os efeitos práticos em 2026 podem ser limitados pelo tempo logístico de transporte, sendo mais relevante para o planejamento de 2027.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa através deste link: Estadão | Lula agradece ao Uruguai pela cessão ao Brasil de cota de carne.

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