Atualmente, mais de 83 milhões de brasileiros vivem com algum tipo de restrição em seu CPF, enfrentando dificuldades para conseguir empréstimos ou cartões devido ao modelo tradicional.

Especialistas apontam que um histórico negativo nem sempre reflete a real capacidade de pagamento atual de uma pessoa, o que impede milhões de acessarem novas oportunidades na economia nacional.

A boa notícia é que o uso de tecnologia e novas fontes de informação promete mudar esse cenário, criando uma análise de risco muito mais inclusiva, conforme divulgado pelo Estadão.

Inovação tecnológica transforma a forma como bancos avaliam o risco do cliente

A TransUnion Brasil está desafiando o modelo convencional dos birôs de crédito. Com presença em 30 países, a companhia utiliza inteligência analítica para apoiar decisões de crédito e prevenir fraudes.

Segundo Claudio Pasqualin, vice-presidente da empresa, olhar apenas para a negativação exclui consumidores que poderiam retomar sua trajetória financeira e contribuir de forma ativa para o crescimento do país.

A estratégia envolve combinar o Cadastro Positivo com dados alternativos e inteligência artificial. Isso permite que empresas considerem o potencial de cada cliente em vez de focar apenas no passado financeiro.

Novo olhar sobre o comportamento do consumidor

Durante décadas, as decisões financeiras foram baseadas apenas em dados negativos. Hoje, a expansão do Open Finance e de novas fontes de informação permitem avaliações muito mais precisas e qualificadas.

“O Cadastro Positivo ajudou a corrigir uma distorção histórica do mercado, ao reconhecer o valor da trajetória do consumidor”, afirma Pasqualin, destacando que a trajetória importa mais do que uma falha isolada.

Essa mudança permite que bancos e fintechs ofereçam serviços personalizados. O objetivo é equilibrar as oportunidades de negócio com a inclusão financeira necessária para milhões de cidadãos atualmente limitados.

O papel da inteligência artificial na análise

A inteligência artificial generativa surge como uma ferramenta para reduzir a complexidade técnica. Ela torna as análises de risco mais intuitivas para empresas de diferentes portes, democratizando o acesso à tecnologia.

Pasqualin explica que a tecnologia cria uma camada de interação entre o analista e a máquina. Isso permite interpretar grandes volumes de dados em segundos, facilitando uma tomada de decisão muito mais estratégica.

Dessa forma, o profissional de crédito pode focar em entender o momento de vida do cliente. A tecnologia ajuda a reduzir a burocracia operacional, permitindo que o sistema financeiro seja mais ágil e eficiente.

Segurança digital e combate a fraudes financeiras

O avanço tecnológico também traz novos desafios de segurança. Criminosos utilizam táticas sofisticadas, como o vishing, onde se passam por instituições confiáveis para aplicar golpes financeiros por telefone.

Dados da TransUnion mostram que o prejuízo médio de brasileiros vítimas de fraudes digitais subiu para R$ 10.699. Cerca de 41% da população afirma ter sido alvo de alguma tentativa de golpe recentemente.

Para combater isso, a empresa utiliza uma base global com mais de 10 bilhões de dispositivos reconhecidos. A biometria facial e a inteligência de dispositivos são essenciais para proteger os clientes legítimos no ambiente digital.

Caminhos para um mercado financeiro sustentável

O principal desafio para os próximos anos é reduzir a assimetria de informações. Dados completos permitem ampliar o acesso ao crédito sem comprometer a saúde financeira das instituições ou dos consumidores.

“A próxima grande transformação do mercado será a capacidade de enxergar pessoas além dos rótulos, positivo ou negativo”, ressalta Pasqualin, defendendo um sistema que entenda o contexto real de cada indivíduo.

Com o apoio da LGPD, o mercado elevou seu padrão de governança. O foco agora é construir relações de confiança que permitam um crescimento econômico sustentável para todos os brasileiros envolvidos no sistema.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | TransUnion Brasil desafia a lógica da negativação.

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