O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo com a divulgação de um estudo técnico que analisa os impactos econômicos dessa mudança. A discussão central gira em torno da capacidade das empresas de absorverem a nova carga horária.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, o país enfrenta um desafio estrutural que pode levar décadas para ser superado. A transição exige uma eficiência produtiva que o Brasil ainda não demonstrou ter nas últimas décadas.
A projeção indica que a economia nacional precisaria de um salto significativo para manter o equilíbrio entre horas trabalhadas e remuneração, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto do fim da escala 6×1 na produtividade brasileira
O estudo da CNI aponta que o Brasil pode levar de 17 a 30 anos para compensar o fim da escala 6×1 apenas com ganhos de produtividade. Para que as empresas mantenham os salários atuais, a eficiência por hora trabalhada precisaria aumentar entre 8,3% e 8,5%.
O grande problema é a velocidade atual desse crescimento. Entre 1981 e 2024, a produção por hora cresceu apenas 0,5% ao ano. Se considerarmos apenas os últimos seis anos, esse ritmo caiu para 0,28%, o que empurra a compensação para três décadas de espera.
Ricardo Alban, presidente da CNI, reforça que a competitividade depende diretamente da produtividade. Segundo ele, quando essa eficiência é afetada por leis, as empresas perdem a capacidade de investir e de remunerar melhor seus colaboradores no longo prazo.
Brasil na lanterna da produtividade global
Na comparação internacional, o Brasil ainda ocupa posições preocupantes. Dados da Organização Internacional do Trabalho colocam o país na 100ª posição mundial em produtividade por trabalhador, ficando muito atrás de potências como Estados Unidos e Noruega.
Nesse contexto, o fim da escala 6×1 exigiria que o trabalhador brasileiro fosse muito mais eficiente em menos tempo. Atualmente, os níveis de produtividade em países desenvolvidos chegam a ser seis vezes superiores aos registrados em solo brasileiro.
Para a CNI, a redução da jornada só se torna sustentável se houver condições estruturais para tornar o trabalho mais eficiente. Sem essas melhorias, a imposição da nova regra pode gerar desequilíbrios graves no mercado de trabalho e na economia.
Risco real para empregos e massa salarial
O estudo projeta cenários preocupantes caso as empresas não consigam absorver os custos. No cenário de rejeição, onde trabalhadores com jornadas elevadas seriam desligados, o número de empregos formais poderia cair de 41 milhões para 18,9 milhões no país.
Em uma hipótese de acomodação, a alternativa seria a substituição de funcionários por mão de obra com salários menores. Isso causaria uma queda na massa salarial mensal entre R$ 4,3 bilhões e R$ 7,3 bilhões, prejudicando o poder de compra da população.
Alban alerta que não existe redução de jornada imposta por lei que não afete salários e produção. Segundo o executivo, nos cenários analisados, o trabalhador acaba perdendo por meio de demissões ou pela redução direta da remuneração oferecida.
Ajustes variam conforme o setor econômico
A necessidade de ganho de eficiência para suportar o fim da escala 6×1 não é igual para todos. Setores que dependem intensamente de mão de obra, como a agropecuária, precisariam de um aumento de produtividade de até 13,6% para não sofrerem perdas.
No setor de comércio, a elevação necessária seria de 10,6%, enquanto na construção civil o índice chega a 9,8%. A indústria de transformação também enfrentaria dificuldades, necessitando de um salto de 9,3% na eficiência de seus processos produtivos.
Atualmente, a jornada de trabalho já é tema central em mais de 37 mil acordos coletivos no Brasil. Para a entidade, essas negociações diretas entre empresas e empregados continuam sendo o melhor caminho para ajustar a carga horária de forma sustentável.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir os detalhes completos na matéria original através deste link.



