Por décadas a geopolítica mundial foi dominada pelo petróleo. Hoje, com a transição energética e a digitalização, os minerais críticos assumem o papel de pilares estratégicos. O mundo, antes dependente de energia fóssil, passa a depender de recursos como lítio, terras raras e nióbio.

Essa mudança fez países e blocos tratarem o acesso a esses materiais como questão de segurança econômica, impulsionando políticas industriais para garantir suprimentos estáveis. Nesse cenário, o Brasil surge como ator estratégico, possuindo reservas de lítio, terras raras, grafite, níquel, cobre e nióbio que podem gerar riqueza significativa.

Segundo o Estadão, o país tem a chance histórica de integrar projetos às cadeias produtivas globais, fortalecendo sua soberania sem se isolar.

A mudança de foco da energia fóssil para os minerais críticos

Do petróleo aos recursos minerais

A dependência histórica do petróleo está sendo substituída pelos minerais que alimentam baterias, veículos elétricos e tecnologias digitais. Essa nova lógica faz o acesso a minerais críticos um elemento central da estratégia nacional.

Brasil como fornecedor estratégico

Com depósitos de lítio, terras raras, grafite, níquel, cobre e nióbio, o Brasil tem potencial para se tornar fornecedor confiável em um mercado competitivo. A experiência anterior no setor de petróleo mostra que a abertura gradual ao capital estrangeiro, iniciada nos anos 1990, ampliou investimentos e desenvolveu a indústria.

Desafios regulatórios e oportunidades de investimento

Historicamente, a mineração enfrentou restrições após a Constituição de 1988, retomando o ritmo apenas com a Emenda Constitucional de 1995 que reabriu o mercado ao capital estrangeiro. Modelos restritivos, como o monopólio estatal do urânio, mostraram riscos de baixa captação de recursos. Já a flexibilização das regras para o lítio, há três anos, atraiu bilhões em investimentos e recolocou o Brasil no mapa global.

Políticas inteligentes para soberania e integração

Para transformar o potencial geológico em desenvolvimento tecnológico, é essencial garantir segurança jurídica, abertura e previsibilidade. Medidas que limitem exportações ou criem monopólios podem afastar investidores internacionais, comprometendo a construção de indústrias associadas. Incentivos fiscais, crédito direcionado e mecanismos de garantia são caminhos para fortalecer a cadeia nacional sem perder capital estrangeiro.

Além disso, a matriz energética predominantemente renovável do Brasil permite uma mineração com menor pegada de carbono, diferencial valorizado nos mercados internacionais.

O Brasil não precisa escolher entre soberania e integração; ao transformar seus minerais críticos em tecnologia e riqueza, fortalece sua posição global.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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