Na última quarta‑feira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, quebrou o silêncio ao depor na CPI do Crime Organizado, dando a primeira versão oficial sobre o escândalo do caso Master. Enquanto isso, o ex‑presidente Roberto Campos Neto faltou à sessão, perdendo a chance de esclarecer o crescimento acelerado do banco durante sua gestão. O ministro do STF Alexandre de Moraes também foi alvejados, com críticas que ameaçam sua permanência no cargo.

O ausente Campos Neto deixou lacunas que alimentam disputas políticas: bolsonaristas culpam o governo Lula, enquanto petistas apontam para o governo Bolsonaro. O presidente Lula, em entrevista ao portal ICL, reforçou que Campos Neto teria colocado o “ovo da serpente” que desencadeou a crise.

Conforme divulgado pelo Estadão, o PT pressiona Galípolo para que a responsabilidade recaia sobre seu antecessor, visando transformar o caso em munição eleitoral. Galípolo, porém, afirmou não existir indício de irregularidade por parte de Campos Neto e que o Master era pequeno demais para demandar atenção direta da presidência do Banco Central.

Depoimento de Galípolo na CPI: o que foi revelado

Ausência de indícios de malfeitos

Durante o testemunho, Galípolo declarou que não há indícios de malfeitos por parte de Campos Neto e que a supervisão do Master ficou a cargo de escalões inferiores do Banco Central. Ele explicou que a cooptação de dois servidores do órgão dificultou o controle do banco.

Escala de influência do Master

Investigadores revelaram que o Master irrigou contas de autoridades e personalidades de destaque, entre elas o ex‑presidente Michel Temer, deputados e presidentes de partidos, para a prestação de consultorias. Não há precedentes de um banqueiro brasileiro com esse nível de alcance.

Acusações contra Alexandre de Moraes

Pagamentos suspeitos

Documentos da CPI apontam que o escritório da esposa de Alexandre de Moraes recebeu R$ 80 milhões do Master em dois anos. O ministro teria tentado limitar a delação premiada e, segundo suspeitas, seria usado como consultor informal do banco.

Consequências políticas

Lula alertou que Moraes não pode “jogar fora a biografia”, sugerindo que sua permanência no STF está em risco. A falta de clareza sobre os serviços prestados ao Master deixa dúvidas sobre a real finalidade dos recursos.

Implicações e próximos passos

Galípolo reiterou que Campos Neto permanece calado e que Moraes deveria considerar a aposentadoria. O caso Master continua envolvendo autoridades de alto escalão, gerando pressão política e possíveis mudanças nas instituições.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Mercado vê pouca chance de pausa em cortes da Selic, apesar de guerra

Mercado vê pouca chance de pausa em cortes da Selic, apesar de guerra

Juros x Inflação: Entenda a relação entre eles 2:45 Crédito: Larissa Burchard/Laís…
Maiores inovações do agronegócio virão de IA e nanotecnologia, diz Marcos Jank

Maiores inovações do agronegócio virão de IA e nanotecnologia, diz Marcos Jank

Agronegócio precisa olhar para o mercado de tecnologia para inovar, diz Marcos…
Disparada do petróleo eleva defasagem do preço do diesel a 85% e põe abastecimento em risco

Disparada do petróleo eleva defasagem do preço do diesel a 85% e põe abastecimento em risco

Israel ataca depósito de combustível no Irã 00:50 Imagens mostram incêndio de…
Giannetti: Saldo da economia no governo Lula é positivo, mas fiscal e combate à pobreza preocupam

Giannetti: Saldo da economia no governo Lula é positivo, mas fiscal e combate à pobreza preocupam

Foto: Taba Benedicto/ Estadão Eduardo GiannettiEconomista e escritor. É integrante da Academia…