Supersafra 2025 traz colheita recorde e expõe gargalos do agro

O Brasil colhe uma safra histórica e reforça seu papel no agronegócio global, mas enfrenta gargalos logísticos, custos e a pressão por sustentabilidade. Crédito: José Maria Tomazella | Estadão

BRASÍLIA – O valor desembolsado no Plano Safra 2025/26, iniciado em 1.º de julho de 2025, alcançou em janeiro R$ 207,8 bilhões em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores, conforme levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast.

Os dados foram coletados no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/BCB) do Banco Central. O montante desembolsado nos primeiros sete meses do plano agrícola e pecuário corresponde a 51,2% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões, sem incluir Cédulas de Produto Rural (CPRs).

O valor ficou 12,5% abaixo do desembolsado em igual período da safra 2024/25, de R$ 237,4 bilhões. Até o fim de janeiro, foram realizados 1,452 milhão de contratos em todas as modalidades, 5,5% mais que o total registrado em igual período da temporada anterior, de 1,377 milhão de contratos.

Na safra atual, observou-se menor desempenho do crédito oficial desde o primeiro mês da temporada. O primeiro semestre da safra costuma ser um dos períodos de maior desembolso de crédito rural em virtude das contratações de financiamento para a nova safra.

No entanto, produtores estão retraídos na demanda por novos financiamentos, com a conjuntura adversa do setor, os juros elevados e os agentes financeiros mais seletivos na concessão de crédito, em virtude do elevado nível de endividamento do setor.

Levantamento mais recente do Ministério da Agricultura aponta para R$ 284,08 bilhões liberados no primeiro semestre da safra para agricultura empresarial, até dezembro, incluindo recursos de CPRs direcionadas — CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).

Considerando os R$ 121,9 bilhões liberados via CPRs de julho a dezembro, há aumento de 3% no desembolso da safra na agricultura empresarial ante o ciclo anterior.

Modalidades e programas

Os financiamentos para custeio somaram R$ 117,185 bilhões em desembolso de julho a janeiro, 13,3% abaixo de igual período do ano-safra anterior. O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 50,3 bilhões no período, 22,5% menos que na temporada passada.

As operações de comercialização atingiram R$ 19,663 bilhões (queda de 13,7%), em 7.037 contratos, e as de industrialização totalizaram R$ 20,716 bilhões (alta de 42,6%), em 1.281 contratos, em seis meses da safra.

No período, 1,214 milhão de contratos de crédito foram firmados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando R$ 42,3 bilhões ao fim de janeiro, recuo de 0,86% ante o ano-safra anterior. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registradas 134.138 operações, totalizando R$ 42,2 bilhões nos sete meses do ano-safra, queda de 3,35% em um ano.

Outros 103.437 contratos foram realizados por grandes produtores, o que correspondeu a R$ 123,2 bilhões em financiamentos de julho a janeiro na safra 2025/26, retração de 18,4% em relação a igual período do ano passado.

A Região Nordeste reportou o maior número de contratos realizados no primeiro semestre da safra, com 734.932 operações, com R$ 20,7 bilhões financiados. Na sequência, consta o Sul, com 342.408 contratos, e maior valor contratado, de R$ 68,2 bilhões.

O Sudeste registrou 230.702 operações de crédito rural de julho a janeiro, somando o total de R$ 57,1 bilhões. No Norte, foram firmados 74.050 contratos, alcançando a liberação de R$ 14,5 bilhões. No Centro-Oeste, foram reportadas 69.423 operações, somando R$ 47,190 bilhões.

Em relação às fontes de recursos do crédito rural, R$ 70,203 bilhões foram provenientes de LCAs, que continuam como a principal fonte do crédito rural oficial na safra 2025/26.

Na sequência, aparecem os recursos obrigatórios respondendo por R$ 45,019 bilhões. Outros R$ 48,886 bilhões de julho a janeiro deste ano foram provenientes dos recursos da poupança rural controlados e livres.

No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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