A frota de veículos no Brasil atingiu uma marca preocupante, alcançando a idade média mais elevada das últimas três décadas, fixando-se em 11 anos. Apesar desse cenário de envelhecimento, o mercado automotivo nacional vive um momento de transição importante com a crescente adesão aos carros elétricos e híbridos.
Dados do “Relatório da frota circulante em 2025”, do Sindipeças, apontam que a participação desses modelos eletrificados subiu de 0,1% em 2016 para 1,4% atualmente. A projeção da Bright Consulting é ainda mais otimista, estimando que essa parcela possa chegar a 24% da frota nos próximos quatro anos.
Essa mudança de paradigma, conforme divulgado pelo Estadão, reflete o interesse das montadoras tradicionais e marcas chinesas no país. O fenômeno deve seguir o modelo de sucesso dos veículos flex, que, desde 2003, tornaram-se predominantes nas ruas brasileiras, representando hoje 77% do total de unidades em circulação.
O desafio do envelhecimento da frota nacional
O envelhecimento da frota é um obstáculo para a modernização. Modelos com mais de 16 anos somam 26% dos quase 49 milhões de veículos ativos. Especialistas alertam que veículos com mais de 20 anos poluem até 40 vezes mais que um automóvel zero quilômetro e possuem menos dispositivos de segurança.
A renovação da frota enfrenta estagnação desde 2015, com o mercado de vendas travado em cerca de 2 milhões de unidades anuais. Sem um incentivo maior para a troca de veículos antigos, a média de idade continua alta, dificultando a redução das emissões de poluentes e o aumento da eficiência nas vias.
Impactos na saúde e na economia
O diretor da Bright Consulting, Cássio Pagliarini, defende que a implementação de programas de inspeção veicular, comuns em outros países, seria fundamental para retirar veículos sem condições mínimas de circulação. Essa medida auxiliaria no controle ambiental e na segurança viária.
George Rugitsky, do Sindipeças, reforça que o custo dos acidentes e da poluição gerada por veículos muito antigos sobrecarrega o sistema de saúde pública. Segundo o especialista, o foco deve ser criar condições econômicas e juros atrativos para viabilizar a compra de modelos novos.
Crescimento das motos elétricas
Enquanto os automóveis cresceram em ritmo lento, a frota de motocicletas avançou 4,1%, impulsionada por serviços de delivery e e-commerce. As motos elétricas também ganham espaço, com um aumento de 17% nas vendas em 2025, apesar de ainda representarem uma fatia pequena do mercado total.
O setor de duas rodas investe pesado na produção local. O Grupo DBS, por exemplo, inaugurará uma nova fábrica na Zona Franca de Manaus para dobrar sua capacidade, focando em modelos elétricos. Ricardo Duco, da DBS, destaca que “comparado a uma moto a gasolina de 160 cilindradas, a economia mensal é de R$ 600 a R$ 800”.
Para mais informações, a fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







