A taxa de juros a ser paga pela CSN no empréstimo de US$ 1,2 bilhão ainda passa por ajustes de detalhes e pode chegar, de forma progressiva, a um custo de “Sofr+8%”, sendo a Sofr uma taxa de referência para empréstimos em dólares, apurou a Coluna. A CSN e um conjunto de bancos assinaram o compromisso de empréstimo, com a remuneração partindo de Sofr+6%, conforme anunciado pela companhia no fim de semana.

Em comunicado ao mercado, a CSN deixou a informação implícita: “A conclusão da operação está sujeita à celebração de documentos de crédito definitivos e do cumprimento de condições precedentes usuais para operações desta natureza”. Nele, a companhia diz que a Sorf+6% trata-se de uma “taxa inicial”.

Uma das propostas que estava sobre a mesa, ao menos até o anúncio da companhia, era de que a taxa partiria da Sofr (Taxa de Financiamento Overnight Garantida, na sigla em inglês), acrescida de um prêmio de 600 pontos-base, com um aumento de 100 pontos por ano até atingir 800 (Sofr+8%). O prazo previsto para o empréstimo é de cinco anos.

Uma das fontes ouvidas pela Coluna aponta que o aumento progressivo da taxa sempre fez parte das negociações. “Isso seria essencialmente para pressionar a CSN a vender a divisão de cimentos o mais rápido possível”, explica. A lógica é que, com a venda do ativo, a empresa teria dinheiro para quitar o empréstimo antes que o custo da dívida subisse.

Um analista que também falou sob condição de anonimato afirma que as condições do empréstimo não fazem sentido se não houver uma alta de juros progressiva. “Com a Selic a 14,75% e uma taxa inicial equivalente a algo em torno de 10% a 12%, dependendo de como se faz a conversão em real, a empresa não teria incentivo para vender a divisão de cimentos e repagar a dívida com agilidade. Sem a progressão de taxa, o custo seria menor do que a companhia teria emitindo bonds hoje”, afirmou.

É possível depreender ainda do comunicado da CSN que essa negociação sobre a taxa final pode levar a uma mudança no montante do empréstimo. O anúncio da CSN, feito na primeira hora do último sábado, informou a assinatura de um empréstimo ponte de US$ 1,2 bilhão, com possibilidade de aumento para até US$ 1,4 bilhão. O empréstimo tem como garantidoras a própria CSN e a CSN Cimentos Brasil. O montante alivia o curto prazo da companhia, garantindo liquidez para os vencimentos de 2026, na visão de analistas.

Dívida de curto prazo ultrapassa R$ 10 bi

A S&P, que na semana passada rebaixou o rating da CSN, avalia que esse empréstimo “aliviará parte da pressão sobre a liquidez da empresa, especialmente no nível da holding”, mas alerta que a companhia possuía, em dezembro de 2025, um caixa de R$ 15,1 bilhões e dívida de curto prazo de R$ 10,4 bilhões. Além disso, tem R$ 18 bilhões com vencimento nos próximos dois anos, antes do vencimento de seu próximo bond de US$1,3 bilhão, previsto para 2028.

Procurada, a CSN não comentou.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 24/03/2026, às 13:17

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Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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