O cenário econômico brasileiro enfrenta um momento de alerta com as recentes declarações de especialistas renomados. A preocupação central gira em torno da transparência nos gastos e do equilíbrio financeiro do país.

De acordo com Otaviano Canuto, economista e ex-dirigente do Banco Mundial, o Brasil tem demonstrado uma habilidade perigosa em contornar as diretrizes orçamentárias. Ele aponta que o uso de pacotes por fora das metas oficiais gera incertezas.

Essa prática, que ganha força em períodos próximos a eleições, pode comprometer a confiança dos investidores e a trajetória da dívida nacional, conforme divulgado pelo Estadão.

O perigo das manobras nas contas públicas e a dívida

Canuto destaca que, embora o mundo todo enfrente desafios nas contas públicas, a situação brasileira é preocupante. Para o especialista, quem compra a dívida pública olha atentamente para a trajetória de expansão dos gastos.

Ele ressalta que a dívida já ultrapassou a marca de 80% do PIB. Segundo o economista, o Brasil precisa de um saldo primário melhor, sem recorrer a manobras por fora das regras fiscais, prática na qual o país seria mestre.

A deterioração fiscal lá fora também pressiona o Brasil. Com juros altos no exterior, fica mais difícil para o governo reduzir as taxas internas, o que acaba alimentando um ciclo perigoso de crescimento da dívida pública.

Gastos eleitorais e as metas fiscais

O governo tem lançado diversos pacotes e linhas de crédito que, na prática, possuem efeito fiscal direto. No entanto, Canuto alerta que esses valores muitas vezes não são incorporados aos indicadores das metas fiscais oficiais.

Essa falta de transparência é vista como um risco real para a economia. O especialista afirma que as instituições brasileiras têm sido lenientes com essas práticas, o que facilita o desvio das normas de austeridade econômica.

Além disso, a polarização política no país impede um debate sério sobre o ajuste necessário. De acordo com o economista, nenhum grupo político deseja prometer medidas de austeridade, o que trava as discussões relevantes.

Inteligência Artificial e a fuga de capitais

Outro ponto de atenção é a corrida tecnológica global. O investimento trilionário em Inteligência Artificial nos Estados Unidos e na Ásia está sugando a liquidez dos mercados mundiais, o que pode prejudicar os países emergentes.

O Brasil corre o risco de ver capitais estrangeiros fugirem para setores mais lucrativos no exterior. Canuto explica que os Estados Unidos viraram um grande sugador de riqueza global, seja por títulos da dívida ou pelo mercado de capitais.

Apesar do receio de uma bolha tecnológica, o especialista acredita que os fundamentos das empresas de IA são mais sólidos que os da época da internet. Isso significa que a transformação na produtividade será real e duradoura.

A jornada 6×1 e os impactos no custo

Sobre a discussão do fim da escala 6×1 no Congresso, Canuto mantém uma visão ponderada. Ele acredita que o impacto nos custos das empresas não será pronunciado, desde que a produção consiga se adaptar à nova realidade laboral.

A transição pode ser atenuada com ganhos de produtividade, como já observado em experiências internacionais. O foco deve ser evitar cenários catastróficos e focar na adaptação dos setores que possuem maior dificuldade de mudança.

Em suma, o equilíbrio das contas públicas depende de transparência e coragem política para enfrentar gastos fora do orçamento. O cenário externo exige que o governo mantenha o rigor para evitar uma trajetória explosiva da dívida.

A fonte original desta notícia é o Estadão, em entrevista concedida pelo economista Otaviano Canuto, disponível em: Estadão | Lançamento de pacotes fora das metas fiscais é muito preocupante.

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