A Braskem, gigante do setor petroquímico, acaba de apresentar uma proposta ousada para tentar reorganizar suas finanças diante de um cenário de alta alavancagem e pressão de investidores internacionais.
A companhia busca negociar um fôlego extra para o pagamento de compromissos bilionários, propondo mudanças significativas nos prazos e nas taxas de juros que incidem sobre seus títulos de dívida externa.
O movimento marca o início de uma nova fase sob o comando da gestora IG4 Capital, que assumiu recentemente o controle da petroquímica, conforme divulgado pelo Estadão.
A estratégia da Braskem para renegociar dívida bilionária no exterior
A proposta inicial da Braskem prevê o alongamento por cinco anos dos compromissos financeiros emitidos no exterior, somando uma dívida bruta de US$ 9,4 bilhões, cerca de R$ 48,6 bilhões pelo câmbio atual.
Além do prazo estendido, a empresa sugeriu uma redução de 2 pontos percentuais no cupom de juros, buscando aliviar o caixa imediato através do modelo de pagamento conhecido como PIK, que utiliza títulos em vez de dinheiro.
Segundo uma fonte consultada, “É um ponto de partida para negociar”, indicando que a companhia já iniciou reuniões formais com os detentores de títulos para buscar a suspensão dos vencimentos em aberto.
Pedido de proteção judicial e suspensão de pagamentos
Especialistas indicam que a Braskem deve entrar com um pedido de proteção contra cobranças, o chamado stand still, até o final deste mês, preparando o terreno para uma futura recuperação extrajudicial.
Caso o plano avance, a empresa deixará de pagar US$ 141 milhões em juros previstos para julho e outros US$ 36 milhões em agosto, ganhando 90 dias para consolidar o acordo com a adesão dos credores.
A alavancagem da companhia atingiu 16,81 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda, um patamar considerado crítico por analistas que veem um plano sem corte de dívida como algo possivelmente insustentável.
Nova gestão foca em eficiência e produtos rentáveis
Sob a nova direção, a Braskem pretende otimizar suas 40 plantas industriais e focar em produtos com maior margem de lucro, descartando, por enquanto, a venda de ativos estratégicos ou o fechamento de fábricas.
A estratégia inclui a transição para o uso de gás e a expansão do plástico verde, diretrizes que buscam melhorar a receita e o resultado operacional de forma sustentável, fortalecendo a posição no mercado petroquímico.
“Os credores terão de ter paciência para que sejam implementadas medidas de reestruturação capazes de melhorar receita, Ebitda (resultado operacional) e margem”, afirmou uma fonte próxima às negociações em curso.
A fonte original desta notícia é o Estadão e pode ser acessada em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







