A situação geopolítica no Oriente Médio atingiu um ponto crítico de desgaste financeiro e estratégico. O conflito, que prometia ser breve, completou seis meses com resultados bem distantes do esperado inicialmente.
Além dos custos bilionários, a instabilidade na região gera reflexos diretos no bolso do consumidor e nas projeções de crescimento das maiores potências do planeta. O cenário atual levanta dúvidas sobre os próximos passos militares.
A estratégia de pressão máxima não alcançou os objetivos principais de desarmamento, nem resultou na mudança de regime esperada, conforme divulgado pelo Estadão.
O alto custo da Guerra do Irã e os objetivos não alcançados
A Guerra do Irã, que deveria durar apenas algumas semanas, entrou pelo seu sexto mês e já queimou cerca de US$ 37,5 bilhões. Um a um, os objetivos declarados pelo presidente Trump foram frustrados.
Não foi arrancada a rendição incondicional do país, o programa nuclear não foi abandonado e o regime dos aiatolás não caiu. Além disso, o Irã não renunciou aos ataques de grupos como Hamas, Hezbollah e Houthis.
Como na prática fica reconhecida a soberania dos países sobre os canais de navegação, conclui-se que, sob o ponto de vista militar, a ofensiva caminha para um fracasso estratégico de grandes proporções regionais.
A crise no Estreito de Ormuz e o preço do petróleo
As negociações atuais limitam-se à reabertura do Estreito de Ormuz, canal por onde passa 20% do petróleo mundial. Curiosamente, o local não corria risco de fechamento antes do início das hostilidades em fevereiro.
Como os estragos produzidos pelos bombardeios exigem reparos demorados, os preços do petróleo seguem em níveis elevados. Isso compromete a produção global e gera uma inflação que não para de subir nos mercados.
O custo em perda de PIB ainda está para ser medido, mas o impacto no consumo já é evidente. A incerteza na região mantém os investidores em alerta, dificultando qualquer recuperação econômica sustentável no curto prazo.
O impacto político para Trump e as eleições
Esse resultado negativo não favorece as pretensões de Trump para as eleições. A população dos Estados Unidos demonstra sinais de cansaço devido à alta dos combustíveis, o que pode gerar uma derrota nas urnas em breve.
Relatos indicam que o presidente tem consultado o Fed sobre o impacto da guerra e o uso de inteligência artificial na economia. Essas consultas revelam a preocupação com a estabilidade financeira interna do país.
O desgaste político é agravado pela percepção de que o Irã, em vez de ser enfraquecido, parece ter saído fortalecido do embate. Isso torna a adoção de novas políticas agressivas algo muito mais difícil de sustentar.
Qual será o próximo passo da estratégia americana?
Trump, seguidor de táticas que buscam abafar notícias ruins com novos fatos bombásticos, pode mudar o foco em breve. Resta saber qual será o próximo alvo de sua bazuca política para desviar a atenção do fracasso atual.
Entre as possibilidades ventiladas estão novas ofensivas contra os Houthis no Iêmen, ou até mesmo focos de tensão em Cuba ou no Brasil. A estratégia de criar fatos novos é uma marca registrada de sua gestão política.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







