O impacto real da incerteza na economia global

Governos costumam cobrar tributos por meio de leis, datas e porcentuais claros. Contudo, existe uma cobrança silenciosa que pesa no bolso de todos: a incerteza econômica. Esse fenômeno atua como um imposto invisível, onde cada decisão improvisada eleva os custos de produção.

Quando o ambiente de negócios se torna instável, empresas adiam contratações e investimentos, optando por uma postura de espera. O resultado dessa hesitação não aparece em arrecadações oficiais, mas sim na forma de um crescimento perdido para a sociedade, conforme divulgado pelo Estadão.

Essa dinâmica de instabilidade tem gerado preocupações crescentes em grandes potências. A falta de previsibilidade, que antes era uma característica de países emergentes, agora começa a afetar economias desenvolvidas, alterando a dinâmica de mercado mundial.

Os efeitos do tarifaço na economia americana

Dados do Yale Budget Lab indicam que o chamado tarifaço de 2025, somado às retaliações de parceiros comerciais, causou uma redução direta no crescimento real dos Estados Unidos. A estimativa aponta uma queda de 0,5 ponto porcentual em 2025 e 0,4 em 2026.

O impacto vai além dos números macroeconômicos. Estima-se que 490 mil empregos tenham deixado de ser criados. Além disso, o PIB de longo prazo pode sofrer uma retração de 0,3%, o que representa um prejuízo anual de aproximadamente US$ 90 bilhões.

Mudança de comportamento nas empresas

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, relatou que a instabilidade complicou decisões essenciais. Grandes companhias estão evitando novos aportes de capital, pressionando os preços e travando a criação de postos de trabalho no país.

Essa situação ocorre devido à política personalista e ao aumento do custo de risco. Em contrapartida, o Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere que a redução das tarifas e a estabilização do ambiente político poderiam impulsionar o crescimento global em 0,6 ponto.

O Brasil e a resiliência na instabilidade

Historicamente, o Brasil sempre conviveu com um cenário de incertezas estruturais, como inflação alta e insegurança regulatória. Isso forçou as empresas brasileiras a desenvolverem uma resiliência única, incorporando riscos e volatilidade cambial no dia a dia.

Nossa economia mostrou sinais claros de melhora justamente quando a imprevisibilidade diminuiu. Avanços como o Plano Real, as metas de inflação e a autonomia do Banco Central foram cruciais para que o país finalmente conseguisse respirar com mais estabilidade.

Lições de estabilidade e responsabilidade

Enquanto economias desenvolvidas enfrentam agora o custo da política errática, o Brasil colhe resultados de uma gestão que buscou a responsabilidade fiscal. Nunca fomos especialistas em estabilidade, mas aprendemos a sobreviver a ela.

A lição que fica é que a previsibilidade é o melhor combustível para o desenvolvimento. O crescimento sustentável depende de regras claras que permitam ao empreendedor investir com segurança, algo que o país tem buscado priorizar nos últimos anos.

A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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