O setor de loteamentos no Brasil enfrenta um cenário de desafios que vai além da economia, atingindo a percepção política em Brasília. Durante um fórum setorial, lideranças apontaram que a falta de entendimento sobre a atividade prejudica as cidades.

Caio Portugal, presidente da Aelo, destacou que existe uma resistência ideológica por parte de órgãos governamentais. Segundo ele, o governo evita liberar crédito por acreditar que estaria incentivando a especulação imobiliária, o que é um erro.

A discussão ganha relevância em um momento de queda nos lançamentos e busca por alternativas de financiamento sustentável para a infraestrutura urbana brasileira, conforme divulgado pelo Estadão.

A crise de financiamento no setor de loteamentos

O presidente da Aelo afirmou que a Selic elevada, que permaneceu em patamares altos nos últimos anos, corrói a capacidade de investimento do setor de loteamentos. Isso resultou no menor volume de lançamentos dos últimos três anos.

Atualmente, o estoque de lotes disponíveis no mercado brasileiro é suficiente para apenas 14 meses de vendas. Para Caio Portugal, esse indicador reflete o risco que os juros caros trazem para a atividade de desenvolvimento urbano.

A barreira do crédito e a resistência em Brasília

Um dos maiores entraves para o setor de loteamentos é a dificuldade de acesso a linhas de financiamento público. O Conselho Curador do FGTS, por exemplo, ainda não reconhece o lote urbanizado como parte da política de habitação.

Portugal afirmou que “existe uma crença em Brasília, e eu falo em Brasília porque ela permeia o Ministério da Fazenda, o Ministério do Planejamento, algumas estatais e o próprio BNDES, que o recurso incentiva a especulação”.

O executivo reforçou que “quando há uma percepção ideologizada, equivocada de não entender o que esse setor entrega, é muito difícil você romper com os paradigmas”, destacando que o setor produz terra urbanizada para a sociedade.

Segurança jurídica e o papel do desenvolvimento urbano

O empresário ressaltou que o setor de loteamentos é uma indústria que gera equipamentos públicos, como escolas e postos de saúde. A falta de previsibilidade e segurança jurídica são os principais pleitos para os futuros eleitos.

Para garantir o crescimento ordenado, é necessário que o Estado ofereça eficiência fiscal e transparência. O setor leva infraestrutura e capital privado para as cidades, contribuindo diretamente para o aumento do PIB brasileiro.

A fonte original é o Estadão.

You May Also Like
Petróleo adiciona um choque inflacionário em escala mundial no desafio do BC de definir o juro

Petróleo adiciona um choque inflacionário em escala mundial no desafio do BC de definir o juro

A reunião do Copom de terça-feira, 17, e quarta-feira, 18, acontece em…
Marcas trocam glitter de microplásticos por purpurina ecológica em busca de diferencial sustentável

Microplásticos nos oceanos pesam o mesmo que 10 mil baleias: entenda o impacto devastador e a solução do glitter biodegradável no Brasil

Estudo revela 171 trilhões de partículas plásticas nos mares, enquanto marcas brasileiras apostam em purpurina ecológica para combater a poluição
Quebradeira tem razões que vão além do juro alto: ela começa quando as coisas mudam; e o varejo, não

Por que o varejo brasileiro está em crise? Veja o que está quebrando as lojas além dos juros altos

Entenda como o Pix, o e-commerce e a importação de produtos estão transformando o setor e as empresas
6x1: Motta vai pautar projeto do governo Lula com mesmo texto da PEC para destravar pauta da Câmara

Fim da escala 6×1: Hugo Motta define relator e decide futuro da jornada de 40 horas

Hugo Motta escolheu Leo Prates como relator do projeto que prevê o fim da escala 6×1 e redução da jornada.