O presidente Donald Trump prometeu que a guerra contra o Irã poderá acabar em breve, mas, sem a capitulação efetiva dos iranianos à vista, o temor do mercado migrou de um novo pico de preço do petróleo, no curto prazo, para o quanto de destruição da oferta resultará da perda de produção pelos principais países do Golfo Pérsico. O esforço é para prever quanto tempo a cotação do barril permanecerá em patamar elevado, afetando a inflação e também o crescimento da economia global.

De um lado, há os eventuais estragos ou destruição total de instalações, como refinarias e oleodutos; de outro, há a interrupção da extração de petróleo, uma vez que, sem ter como escoá-lo pelo Estreito de Ormuz, a capacidade de armazenamento dos países da região está se esgotando rapidamente.

Na semana passada, o Iraque anunciou um corte de 1,5 milhão de barris por dia (b/d), mas já há relatos de que sua produção de petróleo foi reduzida em 70%, de 4,3 milhões de b/d para 1,3 milhão de b/d.

Também seguiram o mesmo caminho o Kuwait (com um corte de 500 mil b/d) e os Emirados Árabes Unidos (entre 500 mil e 800 mil b/d). Até a Arábia Saudita teria diminuído a sua produção em até 2,5 milhões de b/d, conforme fontes do setor citadas na imprensa. O Catar já interrompeu a sua produção de gás natural, e a expectativa é de que, em breve, também pare de extrair petróleo.

O estrago é grande quando se leva em conta que, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a perda da produção russa é estimada em menos de 1 milhão de b/d.

Em caso de um conflito se prolongando por mais de quatro ou cinco semanas, com o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz (20 milhões de b/d, um quinto da produção global) reduzido de 70% a 80%, numa hipótese otimista, toda a capacidade de armazenamento pelos países do Golfo (num total estimado de 343 milhões de barris de petróleo) estaria esgotada.

A Arábia Saudita ainda consegue desviar de Ormuz cerca de 4,5 milhões de b/d pelo Mar Vermelho, através de oleodutos. E os quase 16 milhões de b/d restantes que não têm por onde ser escoados a não ser a passagem marítima à mercê de ataques do Irã?

O problema é que, depois de interrompida, a retomada da operação de poços de petróleo não acontece tão rapidamente. Assim, o choque de oferta provocado pela guerra no Oriente Médio poderá ter um alcance muito maior do que apenas retirar do mercado o volume transportado através de Ormuz. Não à toa, o temor com a economia global caso os países do Golfo fechem as torneiras dos poços de petróleo por muito tempo.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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