Os credores da Lojas Americanas intensificaram a batalha jurídica para responsabilizar os acionistas de referência, ligados à gestora 3G Capital, pelo rombo contábil que abalou o mercado brasileiro.
O objetivo central é provar o vínculo desses grandes investidores com práticas ilegais, o que mudaria drasticamente os termos da recuperação judicial e as obrigações de pagamento da empresa varejista.
A estratégia envolve acusações de má gestão e fraude, visando o ressarcimento total dos prejuízos causados a fornecedores e pequenos investidores, conforme divulgado pelo Estadão.
A Luta dos Credores Contra a Fraude na Lojas Americanas
O advogado Paulo Carnaúba, especialista em fraudes corporativas, defende que, caso a culpa dos controladores seja comprovada, a dívida deve ser paga integralmente, sem os descontos aplicados no plano atual.
Atualmente, o acordo de recuperação judicial prevê perdas que variam entre 70% e 80% para quem optar por receber em parcela única até 2043, o que é visto como injusto por aqueles que foram lesados.
Carnaúba argumenta que os controladores foram beneficiados pela maquiagem nos balanços, pois a aparência de saúde financeira da rede evitava a necessidade de novos aportes de capital pelos sócios.
Investigação de Insider Trading e Manipulação de Mercado
Além do rombo bilionário, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) apura indícios de insider trading e manipulação de mercado envolvendo a venda de ações por ex-diretores antes do anúncio oficial da crise.
O Instituto Empresa, que representa centenas de investidores minoritários, sustenta que uma fraude dessa magnitude não poderia ocorrer por tanto tempo sem o conhecimento ou a falha de supervisão direta.
Para a entidade, os acionistas de referência devem responder pelos deveres fiduciários, uma vez que as decisões estratégicas e a fiscalização da companhia cabem ao poder de controle exercido por eles.
Suspeita de Tratamento Desigual com Pagamento de Debêntures
Outro ponto crítico da investigação envolve o resgate antecipado de uma debênture de R$ 216 milhões, realizado apenas um dia antes do pedido oficial de recuperação judicial da companhia.
Enquanto a maioria dos credores enfrenta cortes severos em seus créditos, os detentores desses títulos receberam o valor total, o que levanta suspeitas de favorecimento ilícito e quebra de igualdade.
A denúncia apresentada à CVM questiona por que esse pagamento foi priorizado, sugerindo que a fraude contábil serviu como ferramenta para ocultar beneficiários e garantir retiradas estratégicas.
A fonte original desta notícia é o Estadão.







