O varejo brasileiro está passando por uma transformação silenciosa, mas muito poderosa, motivada pela dificuldade de acesso ao financiamento bancário e pelas altas taxas de juros que encarecem o consumo.

Muitos lojistas decidiram retomar o controle das vendas oferecendo crédito direto ao consumidor, utilizando capital próprio para garantir que os clientes continuem comprando mesmo com restrições nos bancos.

Esse movimento fez com que a participação do financiamento próprio saltasse quase 70% em apenas dois anos, mudando a dinâmica das grandes redes de comércio, conforme divulgado pelo Estadão.

Crédito próprio se torna a principal arma do varejo contra os juros altos

Em 2025, o crédito oferecido pelos próprios comerciantes respondeu por 15,52% do faturamento total do varejo, um salto significativo comparado aos 9,27% registrados em 2023. Esse aumento de quase 70% mostra a força do setor.

O desempenho dessa modalidade é comparável ao avanço do Pix no mesmo período, que cresceu 71,5%. Enquanto isso, os meios tradicionais, como cartões bancários e dinheiro vivo, perderam espaço no mercado nacional.

Segundo Lucas Dornellas, diretor da RPE, o ciclo de crédito bancado pelos varejistas acelerou desde 2023. A cada ano, cerca de dez novos contratos de grandes redes deixam as emissões bancárias para operar com recursos próprios.

Por que as lojas estão aprovando mais crédito?

A conjuntura econômica atual, com a taxa básica de juros elevada e o alto endividamento das famílias, fez os bancos restringirem a aprovação de crédito. Hoje, os bancos aprovam apenas entre 5% e 8% dos pedidos.

No entanto, com o uso de capital próprio, o varejo consegue manter um índice de aprovação de 30%. Isso dá protagonismo aos lojistas bem capitalizados, que conseguem elevar o consumo mesmo em tempos de crise financeira.

“Isso está tirando o poder do varejo de conseguir efetivamente elevar o consumo e os varejistas bem capitalizados estão assumindo esse protagonismo do crédito novamente”, afirma Dornellas sobre o novo cenário.

O impacto no valor médio das compras

Um dado surpreendente do estudo mostra que o valor médio das vendas no crédito próprio chegou a R$ 305,82. Esse valor é 113% maior do que o ticket médio do crédito tradicional, que ficou em R$ 143,52.

Essa diferença ocorre porque as lojas atrelam o uso do seu próprio cartão a benefícios exclusivos e descontos. Para as classes C, D e E, essa é uma oportunidade valiosa de economizar e parcelar compras maiores.

Além de aumentar o faturamento, essa estratégia cria uma fidelidade maior. O consumidor tende a retornar à loja com mais frequência, gerando um ciclo de consumo recorrente que beneficia tanto o cliente quanto o empresário.

Fidelidade que reduz as dívidas em atraso

Ao contrário do que se pode pensar, a inadimplência é menor entre clientes fiéis. Cerca de 83% dos consumidores que compram há mais de dez anos no crédito próprio mantêm seus pagamentos rigorosamente em dia.

O relacionamento contínuo permite que a loja conheça melhor o perfil de quem compra. “Clientes que já têm um relacionamento estável têm carteiras em dia muito melhores do que o índice geral de mercado”, destaca o executivo.

Aliado a isso, a Inteligência Artificial promete aumentar ainda mais os lucros. Para Fábio Queiroz, da Innovation Week, agentes de IA já atuam como vendedores altamente eficientes, derrubando barreiras entre o mundo físico e o digital.

A fonte original é o Estadão.

You May Also Like
Governo deve arrecadar até R$ 20 bilhões a mais com alta do Imposto de Importação

Governo deve arrecadar até R$ 20 bilhões a mais com alta do Imposto de Importação

Vou pagar mais imposto com a reforma tributária? Proponho trocar o medo…
Medidas parafiscais somaram R$ 220 bilhões em 2025

Ajuste fiscal 2027: economista do BTG Pactual alerta que controlar o gasto público é chave para juros de um dígito no próximo governo

Especialista destaca necessidade de convencer políticos e apresenta lições do passado para evitar crises fiscais
Governo enquadra gastos com precatórios e Anvisa no piso da saúde e economiza R$ 5,5 bi com manobra

Governo Lula muda cálculo do piso da saúde para poupar R$ 5,5 bi; veja o que muda no SUS agora

A reclassificação de precatórios e gastos da Anvisa dentro do orçamento obrigatório da saúde gera polêmica e questionamentos técnicos.
BNDES amplia presença em SP com investimentos de R$ 152,6 bilhões nos últimos 3 anos

Bilhões do BNDES: São Paulo vive revolução em aeroportos e metrô; confira os projetos!

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social bate recorde de investimentos em infraestrutura e inovação no estado paulista