A corrida pelos minerais críticos ganhou um novo capítulo de peso no Brasil. A mineradora Atlantic Nickel anunciou um investimento bilionário para transformar suas operações no interior da Bahia nos próximos anos.
O projeto foca na transição de uma mina a céu aberto para uma estrutura subterrânea, visando atender a crescente demanda global por baterias de veículos elétricos e enfrentar as fortes oscilações do mercado.
Com um aporte de R$ 3 bilhões, a empresa projeta um salto impressionante na extração do metal até o final desta década, em um movimento estratégico de longo prazo, conforme divulgado pelo Estadão.
Estratégia de expansão e foco em carros elétricos
A mineradora Atlantic Nickel planeja expandir sua produção de níquel sulfetado em 87% até o ano de 2029. Este metal é considerado essencial para a fabricação de baterias de carros elétricos, setor que lidera a transição energética.
O níquel faz parte do grupo dos minerais críticos, uma riqueza estratégica que se tornou alvo de uma disputa mundial. O investimento bilionário em Itagibá, na Bahia, foca justamente em garantir essa fatia do mercado global.
O salto tecnológico na mina de Santa Rita
A obra iniciada recentemente permitirá a conversão da mina de Santa Rita para o modelo subterrâneo. Segundo a empresa, essa nova estrutura deve estender a vida útil da operação para mais de 30 anos, garantindo estabilidade.
Além da longevidade, o acesso a reservas com maior teor de pureza é o grande diferencial. Na superfície, o teor é de 0,29% de níquel, enquanto no subsolo o produto alcança 0,5%, permitindo produzir mais com o mesmo volume processado.
Milson Mundim, country manager da Appian Capital Brazil, destaca a relevância do projeto: “Estamos embarcando em uma grande expansão do nosso projeto de níquel na Bahia”, afirmou o executivo sobre os novos rumos da companhia.
Controle rigoroso de custos e mercado global
Mesmo com a turbulência nas cotações internacionais do metal, a mineradora mantém a confiança. O foco da gestão está na disciplina de custos, buscando posicionar a Atlantic Nickel entre as produtoras mais eficientes do mundo.
“Nós não controlamos os preços, temos de controlar o custo”, explica Mundim. A ideia é que 75% dos projetos do mercado precisariam parar de operar antes que o preço de equilíbrio da empresa fosse atingido, garantindo resiliência.
A composição da equipe também é um diferencial, com foco em técnicos de mineração, engenheiros e geólogos. Esse conhecimento técnico permite desenvolver projetos defensivos que suportam as variações de preço do mercado externo.
Geopolítica e a influência da Indonésia
O cenário é influenciado pela Indonésia, maior produtor mundial, que tem induzido a redução da oferta para valorizar o metal. O país defende a criação de um grupo de produtores para coordenar preços, similar ao modelo da Opep.
Além disso, a tensão entre EUA e China move as peças do xadrez mineral. Washington busca trazer a produção de itens essenciais para nações amigas, tentando reduzir a dependência da China em minerais como as terras raras.
O Brasil aparece como um mercado estratégico e menos afetado por essa concentração. O foco agora é consolidar a produção de cobre, níquel e grafite em países alinhados aos interesses das grandes potências tecnológicas do Ocidente.
A fonte original é o Estadão e você pode conferir a matéria completa no link original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







