Muitas famílias paulistanas estão sentindo um peso cada vez maior no bolso na hora de fechar as contas do mês. A grande vilã da vez não é apenas o aluguel ou a prestação, mas as despesas fixas de manutenção.

Um levantamento recente aponta que o custo médio para manter um apartamento na capital paulista teve uma alta expressiva, superando o índice de inflação acumulado nos últimos quatro anos, o que exige cautela.

O aumento reflete diretamente o encarecimento da mão de obra e das tarifas públicas, que subiram acima da média geral de preços do mercado, conforme divulgado pelo Estadão.

A escalada da taxa de condomínio e o impacto nas famílias paulistanas

Nos últimos quatro anos, a taxa de condomínio ficou 30% mais cara na cidade de São Paulo. Em 2022, o preço médio pago na capital era de R$ 832, mas esse valor saltou para R$ 1.085 em 2026, segundo a administradora Lello.

Para se ter uma ideia do impacto, no mesmo período a inflação medida pelo IPCA acumulou cerca de 20% de alta. Isso mostra que o custo de morar em prédios está subindo muito mais rápido que o poder de compra médio.

Segundo Angélica Arbex, diretora da Lello, a mão de obra é o principal custo, representando 49% das despesas. “Os valores acompanham os dissídios e reajustes salariais da categoria de funcionários e terceirizados”, explica a executiva.

Os fatores que encarecem o boleto mensal

Além dos salários, as contas de consumo como água, luz e gás têm sofrido ajustes constantes acima da inflação. Como o condomínio é focado em serviços e tarifas públicas, ele não segue o ritmo dos bens de consumo tradicionais.

Atualmente, um morador de São Paulo desembolsa, em média, R$ 13 mil por ano apenas com a taxa de condomínio. Esse valor varia drasticamente conforme o tamanho do prédio, indo de R$ 7,1 mil a R$ 33 mil anuais.

A regra de ouro do mercado imobiliário continua valendo, quanto menos vizinhos para dividir a conta, mais caro fica o boleto. Prédios com menos de 30 unidades na zona sul apresentam os custos de manutenção mais elevados da cidade.

Localização e o perfil do condomínio ideal

A localização exerce influência direta no preço. Na zona sul, a despesa média mensal chega a R$ 1.282, enquanto na zona leste o valor cai para R$ 750. Uma diferença de R$ 532 que pesa na escolha do apartamento.

O comprador moderno agora calcula o teto de gastos somando financiamento, IPTU e condomínio. O lazer compartilhado, como piscinas e academias, atrai famílias, mas exige uma estrutura cara que só compensa em prédios grandes.

“A gente conta com uma estrutura que seria muito mais cara de se manter em um prédio pequeno”, afirma a internacionalista Júlia Paiva, que vive em um condomínio com 140 apartamentos e vê vantagem no rateio das despesas.

Inadimplência e os desafios da gestão

Embora a inadimplência na capital tenha caído para 5,30%, o cenário nacional preocupa. Dados da uCondo indicam que, no Estado de São Paulo, o índice de atrasos chegou a 12,14% no primeiro semestre de 2026.

O atraso no pagamento pode gerar um efeito cascata, obrigando síndicos a adiar reformas ou criar rateios extras. Isso prejudica a valorização do imóvel e a qualidade de vida, tornando a inadimplência um problema de todos.

Especialistas alertam que o comprometimento da renda com juros altos, como o do cartão de crédito, faz com que muitos moradores deixem o condomínio para depois, o que pode comprometer a segurança e a manutenção dos edifícios.

A fonte original desta matéria é o Estadão, e você pode conferir o conteúdo completo no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Falta de mão de obra não seria agravada pelo fim da escala 6x1 pretendido pelo governo?

Desafios do Mercado de Trabalho: A escassez de mão de obra assombra a construção civil e setores-chave no Brasil, exigindo novas soluções

A complexa realidade da escassez de mão de obra no Brasil e o impacto em setores estratégicos como a construção civil
Fim da escala 6x1: quem ocupará as vagas no campo?

Fim da escala 6×1: Entenda o impacto no mercado e o que muda para o trabalhador!

Debate sobre a redução da jornada de trabalho ganha novos capítulos e acende alerta na economia.
Krugman: ideia de que os EUA possam confiscar o ouro estrangeiro mantido no Fed já não é tão absurda

Medo de confisco de ouro faz países tirarem fortunas dos EUA; veja o que diz Nobel de Economia

Paul Krugman alerta que a desconfiança no governo americano atingiu níveis alarmantes, motivando a retirada de reservas bilionárias por países europeus.
Riscos aumentam e BC pode pausar corte de juro após junho, diz Solange Srour, do UBS GWM

Juros e Inflação: Banco Central deve pausar cortes em breve? Veja o alerta de especialista do UBS

Solange Srour aponta que riscos fiscais e cenário global incerto podem forçar uma interrupção na queda da Selic.