A movimentação silenciosa de grandes potências europeias está ligando o sinal de alerta no mercado financeiro global. Bilhões de dólares em metais preciosos estão sendo retirados dos cofres americanos.
Essa mudança de custódia revela uma tensão crescente entre aliados históricos e as novas políticas econômicas da Casa Branca. O receio de instabilidade passou a ditar o ritmo das reservas mundiais.
A análise desse cenário aponta para uma crise de credibilidade sem precedentes na gestão de ativos estrangeiros em solo americano, conforme divulgado pelo Estadão em reportagem recente sobre o tema.
Por que a Europa teme o confisco de ouro nos Estados Unidos
O movimento feito pelo Banco Central da Holanda, que transferiu cerca de US$ 12 bilhões em ouro do Federal Reserve de Nova York para Londres, acendeu um debate sobre a segurança de ativos nos Estados Unidos.
Essa ação segue os passos do BC francês, que também levou parte de suas reservas para Paris. Para Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, isso reflete o nível de desconfiança atual no governo americano.
O fator Donald Trump e o Estado de Direito
Em sua análise, Krugman destaca que o termo “Estado de direito” não é mais associado com frequência ao governo de Donald Trump. O economista aponta um desprezo especial da gestão pelas normas do direito internacional.
Muitas tarifas impostas por Trump foram consideradas ilegais e violavam acordos assinados por presidentes anteriores. Isso cria um ambiente onde o temor de um eventual confisco de ouro estrangeiro deixou de ser absurdo.
O impacto financeiro e o simbolismo das reservas
Krugman ressalta que o impacto financeiro direto será mínimo. “Não haverá sequer grandes remessas transatlânticas de ouro: os bancos centrais venderão seu ouro de Nova York para compradores privados”, explica o especialista.
Contudo, o simbolismo dessa retirada é considerado arrepiante. Segundo ele, os Estados Unidos perderam a capacidade de inspirar confiança, pois governos estrangeiros temem que as regras mais básicas não sejam seguidas.
A difícil missão de restaurar a credibilidade
Para o Nobel de Economia, a saída de Trump não resolverá o problema imediatamente. A mancha na reputação diplomática e financeira do país exigirá muitos anos de uma gestão honesta para que a confiança seja reestabelecida.
O temor de que o governo americano possa inventar desculpas para reter bens alheios mudou a geopolítica das reservas. A proteção do confisco de ouro tornou-se uma prioridade estratégica para as nações europeias hoje.
A fonte original desta notícia é o Estadão: Paul Krugman: A ideia de que os EUA possam confiscar ouro estrangeiro já não é tão absurda.




