A corrida global pela tecnologia mais avançada do século colocou o Brasil em um dilema estratégico. Sem fabricar os próprios chips de processamento, o país busca alternativas urgentes para não ficar totalmente dependente de potências estrangeiras.

Especialistas alertam que a autonomia digital não depende apenas de programas de computador, mas de uma infraestrutura física robusta. Atualmente, essa cadeia de produção está concentrada em poucos países, como Estados Unidos, China e Taiwan.

O governo federal e iniciativas estaduais buscam caminhos para criar modelos nacionais e atrair grandes centros de dados. O objetivo é garantir a soberania em inteligência artificial e proteger os dados dos cidadãos, conforme divulgado pelo Estadão.

Por que a soberania em inteligência artificial é o novo desafio tecnológico do Brasil

A soberania em inteligência artificial brasileira é um assunto complexo devido às suas diferentes camadas. À primeira vista, parece bastar uma ferramenta que fale português, mas toda a tecnologia de base vem de fora do território nacional.

No setor de hardware, o Brasil está mais dependente de outros mercados. O país está fora da cadeia de design e produção de chips de memória essenciais. Para ter autonomia, é necessário comprar componentes fabricados por empresas como a Nvidia e a TSMC.

Carlos Rafael Neves, professor da ESPM, afirma que trazer soberania total ao Brasil é uma missão difícil. Para ele, o melhor é criar aplicações específicas. “O Brasil está produzindo soluções de qualidade, mas só faz isso graças a tecnologias estrangeiras”, ressalta.

O plano bilionário do governo para o futuro da tecnologia

O governo federal mantém o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê investimentos de R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028. O projeto foca em áreas como saúde, educação e modernização da gestão pública.

Na saúde, as iniciativas incluem a automatização de prontuários e o uso de algoritmos para apoiar a compra de medicamentos. Já na educação, o plano prevê sistemas inteligentes para combater a evasão escolar e oferecer tutoria personalizada aos alunos.

Até junho de 2026, cerca de R$ 7,8 bilhões já haviam sido executados. O foco agora é a estruturação de um novo supercomputador nacional e a retenção de talentos para evitar a fuga de cérebros para o exterior.

Piauí sai na frente com o projeto SoberanIA

Um exemplo prático de busca por autonomia vem do Piauí. O projeto SoberanIA, criado em 2024, desenvolveu modelos de linguagem chamados Soberano. Eles foram treinados em solo nacional, utilizando servidores e dados puramente brasileiros.

André Macedo Santana, secretário de Inteligência Artificial do Piauí, explica que o foco é o setor público. “O Soberano é voltado para ser usado no setor público. Não tem a intenção de ser o ChatGPT”, afirma o secretário estadual.

A ferramenta utiliza cerca de 800 bases de dados públicas para facilitar a vida do cidadão. Atualmente, já é possível registrar boletins de ocorrência via WhatsApp por voz ou texto, graças a essa tecnologia treinada com a cultura e gírias locais.

O potencial da energia renovável para centros de dados

A energia renovável brasileira, especialmente a eólica, é vista como um diferencial mundial. Ela pode alimentar os grandes centros de dados que processam a soberania em inteligência artificial, atraindo investimentos de gigantes como TikTok e Microsoft.

O Brasil já detém 48% da capacidade de data centers em operação na América Latina. Esses espaços consomem tanta energia quanto cidades inteiras, o que exige um planejamento sustentável para não encarecer a conta de luz da população local.

Fabro Steibel, do ITS-Rio, lembra que o potencial brasileiro precisa de escala. “O Brasil tem 1% dos data centers do mundo. Por mais que cresçamos muito, não teremos a mesma capacidade de processamento de dados da Europa, EUA ou China”, pondera.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo e pode ser acessada em: https://www.estadao.com.br/economia/negocios/soberania-em-ia-o-que-o-brasil-precisa-fazer-para-reduzir-a-dependencia-de-outros-paises/

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