O cenário atual do campo brasileiro apresenta sinais mistos que dividem as opiniões entre especialistas e os principais investidores do setor produtivo nacional, gerando incertezas sobre o futuro próximo.
Embora a queda recente dos juros e a valorização das commodities tragam um fôlego novo para muitos produtores, as gigantes do setor de tecnologia e química mantêm um tom de alerta constante.
A realidade atual do mercado demonstra que o caminho para a estabilidade total ainda demanda tempo, cautela e ajustes financeiros profundos, conforme divulgado pelo Estadão.
Desafios na recuperação do agronegócio e o peso dos insumos
A queda dos juros e a melhora nas cotações agrícolas animam o mercado, mas a indústria de insumos ainda não enxerga uma retomada rápida. Executivos de grandes empresas descrevem um processo lento e desigual.
Para líderes de marcas como Syngenta, Mosaic e Corteva, o setor ainda atravessa um momento difícil. O ajuste de balanços está em curso e a recuperação do agronegócio depende diretamente da saúde financeira dos produtores.
Há quem veja o pior como passado. “Nosso entendimento é que os juros começaram a cair e devem continuar a cair”, afirma André Glezer, co-CEO da Agrolend. Ele acredita que o setor vive agora um novo ciclo de alta.
Sinais de melhora versus realidade financeira
Os indicadores positivos aparecem na Selic, que recuou para 13,75% em setembro, e no preço da soja. No porto de Paranaguá, a saca subiu de R$ 130 no início do ano para R$ 162, segundo a Pátria Agronegócios.
Entretanto, Eduardo Monteiro, da Mosaic Fertilizantes, prega cautela. “Alguns dizem que o Sol começou a nascer novamente. Mas, dentro desse contexto, a gente ainda tem muita coisa para fazer”, pondera o executivo.
Ele destaca que os recursos privados do Plano Safra estão 20% abaixo do volume registrado no ano anterior. Para Monteiro, a situação atual é clara e preocupante para o planejamento, “Falta o dinheiro”, resume ele.
O peso do endividamento e das recuperações judiciais
O presidente da Syngenta Proteção de Cultivos, André Savino, aponta que o endividamento do produtor chega a cinco vezes o lucro da atividade. Essa pressão financeira dificulta a compra de novos insumos agrícolas.
Dados da Serasa Experian confirmam o estresse, o setor registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, alta de 21,9%. “O mercado vai melhorar, mas vai demorar”, projeta Savino sobre o cenário.
Pedro Dias, da Corteva Agriscience, estima que o saneamento dos balanços leve de 24 a 36 meses. Ele explica que o estresse atinge primeiro o agricultor, passa pela distribuição e chega, por último, na indústria química.
Perspectivas e a visão dos acionistas estrangeiros
A crise atual desafia até a comunicação com investidores externos. Santiago Franco, CEO da Cibra, diz ser difícil explicar o momento aos estrangeiros, que só observam as notícias de sucessivas safras recordes no país.
“Nós vivemos em um mundo paralelo”, afirma Franco, citando que a geopolítica torna o planejamento ainda mais complexo. O desempenho de crédito em algumas empresas também está “fora de todos os padrões”, segundo a Syngenta.
Fábio Neufeld, da Syngenta, acredita que o momento atual filtra os bons gestores. “Agora que a água baixou, a gente está vendo quem está pelado”, afirma ele sobre a organização financeira necessária para sobreviver à crise.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir os detalhes na matéria completa em: Estadão | Indústria de insumos vê recuperação lenta do agronegócio







