O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, apresentou um diagnóstico franco sobre o futuro da economia brasileira e o equilíbrio das contas públicas para os próximos anos.

Segundo ele, o grande desafio atual não é mais a existência de políticas sociais, mas sim a eficiência e o limite desses gastos para evitar que o orçamento do país fique totalmente comprometido.

O foco principal do alerta são as despesas obrigatórias, que crescem aceleradamente e ameaçam a capacidade de investimento do Estado, conforme divulgado pelo Estadão em entrevista exclusiva.

O desafio do ajuste fiscal e a modernização do Estado brasileiro

O ministro defende que o debate sobre a necessidade de políticas sociais já foi superado. Agora, a prioridade absoluta é definir os limites técnicos e a gestão rigorosa desses recursos públicos.

Para Dario Durigan, o Estado não precisa ser mínimo, mas deve ser muito eficiente. Ele sugere o uso intensivo de tecnologia e biometria para evitar fraudes em benefícios como o BPC, o auxílio assistencial.

A reforma administrativa também é vista como necessária no futuro. O ministro acredita que novas travas para contratações e o enfrentamento de supersalários no funcionalismo são medidas urgentes.

O risco das despesas obrigatórias até 2027

Durigan explicou que é inevitável manter uma regra rígida de limite de despesas. Sem o controle das contas, o Brasil corre o risco de chegar em 2027 sem verba alguma para realizar investimentos essenciais.

O desafio central é moderar o gasto obrigatório. Se a pressão atual continuar, o governo perderá o poder de decisão, operando em um modo automático que apenas quita folhas de pagamento e previdência.

Ele reforçou que o horizonte de 2027 deve ser focado na revisão de programas e na unificação de políticas sociais, buscando um cenário de maior equilíbrio fiscal do que o registrado no início da gestão.

Tensão com o Congresso e o custo das pautas-bomba

Sobre a relação com o Legislativo, o ministro apontou um padrão de dificuldades fiscais. Ele critica a aprovação de novos gastos por parte dos parlamentares sem a indicação clara de fontes de receita.

Um exemplo citado foi a renegociação de dívidas do setor agropecuário, com impacto bilionário. Durigan defende que o Congresso siga os mesmos ritos técnicos e de responsabilidade exigidos do Executivo.

Caso o Congresso continue aprovando textos sem transparência orçamentária, o governo sinaliza a possibilidade de vetos presidenciais ou até mesmo o acionamento do Supremo Tribunal Federal para barrar as medidas.

A guerra comercial e as tarifas de Donald Trump

No cenário internacional, o foco está nas tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump. Durigan expressou incômodo com o fato de o Brasil ser penalizado por justificativas ligadas à disputa com a China.

O ministro argumenta que o Brasil possui um perfil comercial complementar aos Estados Unidos, exportando commodities e importando tecnologia. Ele defende uma agenda de discussões setoriais diretas e claras.

Apesar das tensões diplomáticas, Durigan vê espaço para diálogo, citando o respeito mútuo entre os líderes. O objetivo é evitar que motivações políticas externas prejudiquem o fluxo do comércio bilateral.

A fonte original desta notícia é o Estadão.

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