O cenário financeiro do Brasil vive um momento de contradição profunda, onde indicadores positivos, como o desemprego baixo, não refletem necessariamente o alívio no bolso dos cidadãos comuns.
O setor de shoppings sente diretamente esse reflexo, pois o dinheiro que deveria circular no varejo está sendo drenado pelo pagamento de juros e renegociações de dívidas acumuladas pelas famílias.
Recentemente, um estudo detalhado trouxe à tona que o sofrimento econômico da população atingiu patamares críticos nunca vistos anteriormente, conforme divulgado pelo Estadão.
O impacto do endividamento das famílias no comércio brasileiro
O desconforto financeiro dos brasileiros atingiu o pior nível já registrado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Desde 2014, o Índice de Desconforto de Crédito monitora a saúde financeira do país.
O CEO do Grupo AD, Helcio Povoa, reforça que o endividamento das famílias é o maior obstáculo atual para os shoppings, superando desafios como a transformação digital e a falta de mão de obra.
A situação é tão crítica que o índice atingiu o teto da metodologia em fevereiro de 2026. Isso ocorreu após a piora simultânea da inadimplência e da qualidade do crédito utilizado pela população.
Recorde histórico de renda comprometida
Segundo o professor Lauro Gonzalez, o comprometimento da renda familiar com dívidas chegou a 29,7%. Isso significa que, a cada R$ 100 recebidos, quase R$ 30 já estão destinados a bancos e credores.
“Em janeiro, o indicador estava em 0,966. Um mês depois, atingiu 1,0, o teto da metodologia, após a piora simultânea dos três componentes que formam o índice”, afirma o coordenador da FGV.
A inadimplência acima de 90 dias também bateu recorde, atingindo 7,2%. Esse cenário dificulta a retomada do consumo e pressiona as empresas que dependem do poder de compra imediato dos brasileiros.
A armadilha do crédito pessoal e cartões
Outro ponto alarmante é a qualidade das dívidas. Cerca de 25,1% do crédito livre para pessoas físicas está concentrado em modalidades caras, como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito.
Isso indica que as famílias estão usando linhas de crédito de alto custo para sustentar o consumo básico e antecipar renda futura, em vez de investir na formação de patrimônio duradouro.
Programas como o Desenrola ajudaram temporariamente, mas o alívio foi passageiro. O índice de desconforto voltou a subir rapidamente, evidenciando uma dependência estrutural do crédito emergencial.
Baixa maturidade financeira e apostas online
Para o professor Fábio Gallo, o problema vai além da falta de dinheiro. Ele destaca que o brasileiro sofre de uma baixa maturidade financeira, o que gera estresse e perda de produtividade no trabalho.
“O brasileiro sofre de algo mais complexo, que é a baixa maturidade financeira estrutural. Nossa população vive baixo nível de bem-estar financeiro”, explica o colunista e coordenador do FGV Money Lab.
Somado a isso, o avanço das apostas online tem criado novas pressões financeiras. O tema será debatido por especialistas para entender como as “bets” afetam o comportamento de consumo e a poupança.
A fonte original é a Estadão e a matéria completa pode ser lida no link: Estadão | FGV e Estadão discutem endividamento e apostas.







