O Brasil lidera o ranking mundial das exportações de commodities agropecuárias e detém o maior saldo comercial no agronegócio. Ao mesmo tempo, é o maior importador de fertilizantes, comprando 85% do que consome. Essa vulnerabilidade pode se transformar em risco para a produção agrícola, a segurança alimentar e os preços dos alimentos.

Em 2022, a pandemia e a guerra na Ucrânia fizeram os preços dos fertilizantes dispararem, mas o aumento das commodities agrícolas compensou os produtores. Agora, a crise de 2026 tem contornos diferentes: o fechamento do Estreito de Ormuz elevou os custos dos fertilizantes sem repassar o mesmo ritmo aos preços das commodities, comprimindo margens e ameaçando o plantio do segundo semestre.

Conforme divulgado pelo Estadão, a dependência brasileira por fertilizantes é muito maior que a média global, com importação de 90% do nitrogênio, 75% do fósforo e mais de 95% de potássio e enxofre, o que torna o país ainda mais exposto a choques externos.

Impacto do fechamento do Estreito de Ormuz no mercado de fertilizantes

O ponto crítico da cadeia global

O estreito escoa 40% das exportações mundiais de ureia, 30% da amônia, 24% dos fosfatos e 50% do enxofre. Essa concentração significa que qualquer interrupção no tráfego marítimo afeta diretamente a oferta desses insumos essenciais para a agricultura.

Consequências para a produção agrícola brasileira

Com estoques que cobrem apenas 2 a 3 meses de demanda, a elevação dos preços reduz a capacidade dos produtores de investir em adubação adequada, sobretudo em solos ácidos e intemperizados que exigem reposição constante de nutrientes.

Alternativas de curto prazo

Entre as soluções imediatas estão os biofertilizantes, a agricultura de precisão, o reaproveitamento de resíduos agroindustriais (vinhaça, torta de filtro, esterco bovino, cama de frango) e o uso de pó de rocha. Contudo, essas opções apenas compram tempo e não eliminam a dependência estrutural por fertilizantes químicos importados.

Estratégias de longo prazo

Para reduzir a vulnerabilidade, é preciso investir em reservas estratégicas, diversificar fornecedores e desenvolver políticas público‑privadas que incentivem a produção nacional de fertilizantes, sobretudo de nitrogênio, fósforo e potássio.

A fonte original da matéria é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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