A Polícia Federal investiga supostas manobras de bastidores envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Rioprevidência. Documentos apontam que o dono do Banco Master teria instruído funcionários do fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro sobre como responder a questionamentos da imprensa.
O foco das autoridades é entender a influência do banqueiro na gestão de recursos do fundo. A investigação sugere que Vorcaro buscou limitar informações sobre a exposição do Rioprevidência a letras financeiras do Master, conforme divulgado pelo Estadão.
O caso ganhou relevância após revelações de que o banco recebia aportes vultosos que, na visão de órgãos fiscalizadores, apresentavam riscos significativos. O episódio expõe tensões entre o controle de dados públicos e os interesses privados do setor bancário.
Interferência direta em respostas oficiais
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que, em agosto de 2024, Vorcaro recebeu de um funcionário do banco o teor das perguntas enviadas por um repórter sobre os investimentos. Ao avaliar a resposta inicial do Rioprevidência, o banqueiro reprovou o texto.
“Não pode ser assim! Pra jornal tem que escrever pouco. Isso aí vai fazer eles fazerem 10 matérias. Tá dando munição gigantesca”, afirmou Vorcaro. A recomendação era manter o conteúdo vago, alegando sigilo sobre as operações financeiras realizadas pelo fundo.
Influência do banqueiro sob análise
O relatório da corporação destaca a nítida influência exercida pelo dono do banco sobre a autarquia. Para os investigadores, a forma como o fundo conduziu sua comunicação sugere uma tentativa de blindar as operações contra o escrutínio jornalístico e fiscal.
O Rioprevidência, ao ser questionado à época, apresentou justificativas jurídicas sobre a legalidade das letras financeiras. No entanto, evitou confirmar detalhes cruciais sobre a concentração dos aportes especificamente em papéis emitidos pelo Banco Master.
Risco em investimentos bilionários
A situação ganhou novos contornos após o Banco Central decretar a liquidação do Master. Levantamentos mostram que 18 fundos de previdência de servidores públicos, incluindo o do Rio, acumularam prejuízos potenciais em ativos que não contam com a proteção do FGC.
Dados técnicos revelaram que o Rioprevidência possuía R$ 970 milhões aplicados no banco, representando cerca de 8% do patrimônio da entidade. Diferente dos correntistas comuns, esses fundos enfrentam o risco de perdas severas no processo de liquidação da instituição.
Questionamentos sobre transparência
O episódio levanta preocupações sobre a governança de regimes próprios de previdência. Especialistas alertam que a falta de clareza na escolha de ativos, somada à proximidade entre gestores e tomadores de recursos, coloca em xeque a segurança do dinheiro dos servidores.
A defesa de Daniel Vorcaro e o Rioprevidência foram procurados para comentar as suspeitas da PF, mas até o momento não se manifestaram sobre o teor das investigações em curso. A fonte original é o Estadão e a matéria pode ser lida na íntegra em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







