O Brasil enfrenta um dilema histórico que atravessa gerações, o país cresce abaixo da média mundial há 45 anos. Para mudar esse cenário, o próximo governo terá a missão de equilibrar as contas públicas.

Especialistas apontam que o desequilíbrio fiscal é o principal vilão, mantendo os juros entre os maiores do planeta. Controlar a dívida é o primeiro passo para reduzir a Selic e atrair novos investimentos.

Este debate central faz parte da série de encontros Brasil Adiante, que busca construir uma agenda prática para os primeiros anos da próxima gestão presidencial, conforme divulgado pelo Estadão.

O desafio urgente para retomar o crescimento econômico do Brasil

Nas últimas quatro décadas e meia, enquanto o mundo avançava cerca de 3,3% ao ano, o Brasil mal superava os 2%. Esse desempenho abaixo da média resultou em uma perda acumulada de quase 70% do PIB nacional.

Segundo Fernando Honorato, economista do Bradesco, “a diferença é muito grande do nosso desempenho quando temos crises locais e quando evitamos crises. Nesse segundo caso, crescemos igual ao mundo”.

Para romper esse ciclo, o país precisa sustentar taxas reais de juros entre 3,5% e 4%. Atualmente, com a Selic elevada, o Brasil opera com juros reais acima de 10%, o que sufoca o consumo e impede novos negócios.

O peso dos gastos obrigatórios na economia

O economista Samuel Pessôa, do FGV-Ibre, destaca que as regras de gastos obrigatórios da União forçam o governo a gastar acima da expansão da própria economia, o que mantém a pressão sobre as contas públicas.

Pessôa sugere que o país pode ficar alguns anos sem aumentos reais do salário mínimo e ajustar os pisos de saúde e educação pelo crescimento populacional, permitindo um respiro necessário para o ajuste fiscal.

Ele afirma que “esta discussão está bem madura na equipe econômica do governo atual”, mas ressalta que ainda não está claro se a presidência da República compreendeu a urgência de enfrentar esses temas sensíveis.

Estratégias de curto e longo prazo

Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, acredita que o foco não deve ser apenas o corte imediato de verbas, mas a mudança nas regras de aumento de gastos futuros para dar previsibilidade aos investidores.

Além da questão fiscal, o crescimento econômico do Brasil depende de ganhos de produtividade. Reformas como a tributária e acordos internacionais, como o do Mercosul com a União Europeia, são fundamentais para esse avanço.

A inovação, especialmente com o uso de Inteligência Artificial em serviços públicos, também é vista como um motor de eficiência que pode transformar setores como saúde e educação em um horizonte de dez anos.

O novo cenário político e o crédito subsidiado

Outro ponto de atenção é a mudança no poder de influência do Executivo sobre o orçamento. Com o fortalecimento do Congresso e o aumento das emendas parlamentares, as regras de gastos precisam ser reformuladas.

O economista Fernando Honorato também defende a redução do crédito direcionado. Quando uma parte da economia recebe juros subsidiados, o Banco Central precisa manter a Selic mais alta para o restante da população.

Melhorar as contas públicas reduziria a dependência desses subsídios. Se o risco fiscal cair, os juros de mercado diminuem naturalmente, criando um ambiente favorável para o crescimento econômico do Brasil de forma sustentável.

A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir o conteúdo completo no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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