Os quatro maiores bancos de varejo do país, listados na bolsa de valores, enfrentaram um período de forte desvalorização recentemente. Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander viram seu valor de mercado encolher drasticamente.

Esse movimento negativo ocorreu logo após a divulgação dos resultados financeiros do primeiro trimestre de 2024. A reação do mercado reflete uma cautela extrema dos investidores diante de novos sinais no ciclo de crédito brasileiro.

Ao todo, a perda acumulada chega à impressionante marca de R$ 80 bilhões entre o fim de abril e o mês de maio. O cenário de incertezas globais e locais domina as atenções, conforme divulgado pelo Estadão.

Por que o valor de mercado dos bancos despencou após os balanços?

Pressão da inadimplência e juros elevados

O recuo percentual do grupo foi de 9,7%, superando a queda de 6,6% registrada pelo Ibovespa no mesmo intervalo. Investidores temem que a Selic elevada por mais tempo pressione ainda mais o endividamento das famílias brasileiras.

Diante desse cenário, as instituições reforçaram as provisões contra calotes, que somaram quase R$ 45 bilhões no trimestre. Esse aumento de 33% nas reservas acabou corroendo o lucro líquido combinado das quatro grandes entidades.

Banco do Brasil e os desafios do agronegócio

Sob forte pressão do setor agropecuário, o Banco do Brasil perdeu R$ 9,1 bilhões em valor de mercado. A inadimplência no agronegócio subiu para 6,22% em março, gerando um sinal de alerta relevante entre os acionistas da estatal.

Além do campo, a instituição começou a mostrar sinais de deterioração na carteira de pessoas físicas. O uso de cartões de crédito é uma das áreas que mais preocupa, indicando que o consumidor está com o orçamento cada vez mais apertado.

Santander e Bradesco em busca de rentabilidade

O Santander Brasil perdeu R$ 8,3 bilhões em valor, após registrar aumento nos atrasos de pagamentos. A rentabilidade do banco caiu, dificultando a meta de atingir um retorno sobre patrimônio líquido na casa dos 20% no curto prazo.

Já o Bradesco viu R$ 18,1 bilhões desaparecerem de sua avaliação de mercado. Embora o banco siga em um processo de transformação estratégica gradual, o analista Nícolas Merola afirma que o mercado é ansioso e a melhora acontece de forma paulatina.

A barra de exigência elevada para o Itaú

Nem mesmo o resiliente Itaú escapou da onda vendedora, perdendo R$ 44,9 bilhões na B3. Por ser considerado o banco mais sólido e rentável, qualquer detalhe nos resultados eleva a barra de exigência do mercado financeiro atual.

Especialistas apontam que, quando uma instituição opera em níveis tão altos, precisa superar expectativas constantes para manter sua valorização. “Quando você aumenta a barra, você precisa superar essa barra”, destaca a análise sobre o momento do setor.

A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir todos os detalhes na matéria original.

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