Crise de liderança na Berkmann preocupa o setor de vinhos
O mercado brasileiro de vinhos enfrenta um cenário desafiador com a saída inesperada de Mariano Levy do cargo de CEO da importadora Berkmann. A transição, marcada por publicações contraditórias em redes sociais, gerou desconforto entre fornecedores e parceiros estratégicos da companhia.
Essa mudança ocorre em um momento de retração econômica para o setor. Dados da consultoria Ideal.BI apontam que a importação de vinhos brancos e tintos caiu 7% em volume e valor no primeiro bimestre de 2024, em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme divulgado pelo Estadão.
A situação escalou após a repercussão negativa da saída de Levy, forçando a matriz inglesa da empresa a rever seus planos. Inicialmente, a companhia preparava um comunicado oficial para a próxima semana, mas agora estuda uma vinda presencial de executivos ao Brasil.
Contradições e incertezas no comando
Mariano Levy afirmou que sua saída foi planejada, alegando que sua missão era auxiliar na gestão da importadora. O executivo declarou ao Estadão: “Estou saindo do cargo de CEO, mas sigo ajudando a empresa, no board”. Ele reforçou que “entrei para ajudar a gestão e já concluí o meu trabalho”.
Apesar da justificativa, a Berkmann ainda não esclareceu pontos fundamentais sobre a sucessão. Rupert Berkmann, um dos líderes globais, mencionou apenas a saída de um “CEO interino”, termo que não havia sido utilizado no momento da contratação original do executivo.
Impacto em grandes vinícolas globais
A instabilidade na Berkmann causa apreensão, especialmente entre vinícolas de peso. A italiana Marchesi Antinori, dona de marcas consagradas como Villa Antinori e Tignanello, estaria insatisfeita com os resultados recentes da operação brasileira da importadora.
Além da Antinori, outros parceiros importantes, como o grupo espanhol Torres, manifestaram preocupação. Carlos Martignago, gerente comercial da Torres, destacou: “Estamos realmente preocupados com essa instabilidade grande da companhia. É muita movimentação de executivos”.
Histórico de mudanças e o futuro
Mariano Levy assumiu a Berkmann após um período de quatro anos fora do mercado. A gestão anterior já havia passado por mudanças, com a saída de Paulo Bruno e Paulo Brammer. O acúmulo de funções com sua própria empresa, a Vinessence, teria pesado na decisão de saída.
Por enquanto, o mercado aguarda um anúncio oficial sobre quem assumirá o comando da importadora no Brasil. A expectativa é que a reunião agendada pela matriz para a próxima semana traga clareza sobre os rumos da Berkmann em solo brasileiro.
A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







