A economia brasileira enfrenta um desafio persistente que limita o potencial de desenvolvimento das empresas nacionais. O custo elevado do crédito tem sido apontado como a principal barreira para a expansão dos negócios e a realização de novos projetos no país.

O tema dominou as discussões durante o evento Brasil em Pauta Nova York, realizado na capital financeira dos Estados Unidos. O encontro reuniu cerca de 90 lideranças empresariais para debater os gargalos que impedem uma aceleração mais consistente do mercado interno.

A preocupação foi unânime entre os executivos presentes, que destacam a urgência de medidas estruturantes para aliviar o peso financeiro sobre o setor produtivo, conforme divulgado pelo Estadão.

O peso dos juros na estrutura produtiva brasileira

Benjamin Steinbruch, CEO da CSN, reforçou que o cenário global, afetado por instabilidades geopolíticas, agrava as dificuldades. Para o empresário, o Brasil opera com patamares de juros considerados irreais frente ao contexto internacional, o que torna o crescimento econômico um movimento ilusório.

Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho do Bradesco, alertou para a insustentabilidade da situação atual. O executivo reforçou que uma taxa real de juros na casa dos 10% é proibitiva, pesando sobre as famílias, as companhias e o próprio Tesouro Nacional.

A importância vital do equilíbrio fiscal

O ajuste fiscal aparece como a peça-chave para destravar a economia. Especialistas do mercado financeiro e líderes do setor de infraestrutura e construção apontam que, sem um controle rigoroso nas contas públicas, a queda da taxa de juros torna-se um desafio ainda maior.

Para gestores como Marco Bologna, da Galapagos Capital, a dependência de juros de dois dígitos é uma consequência direta da falta de equilíbrio nas contas do governo. Esse ambiente exige responsabilidade e debate técnico, evitando medidas tomadas apenas por apelos eleitorais.

Desafios operacionais e o futuro dos investimentos

Além das questões macroeconômicas, o setor privado lida com dilemas práticos. O custo do capital dificulta o planejamento de longo prazo, impactando áreas essenciais como a engenharia e a infraestrutura, que sofrem também com o desafio de qualificação da mão de obra.

Bruno Boetger, do Bradesco, observou que, embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de redução, fatores externos podem tornar esse processo mais lento. O consenso entre os presentes é claro: a prioridade para o país deve ser a busca por um ambiente de juros menores.

O setor privado enfatiza que a previsibilidade e a disciplina no trato com a economia são os únicos caminhos para evitar que o Brasil continue refém de um cenário de baixo crescimento e alta carga financeira sobre o setor produtivo.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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