Opep+ reage à guerra no Irã com um aumento na produção maior do que o esperado

Opep+ eleva produção de petróleo em 206 mil barris/dia em abril para tentar conter alta de preços e acalmar o mercado global. Crédito: Crédito: AFP

RIO – A disparada do petróleo, provocada pelo risco de bloqueio no Estreito de Hormuz após os ataques ao Irã no final de semana, tem duplo efeito para o Brasil, na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo. Ao mesmo tempo que é positivo para as petroleiras e para a balança comercial, tem um peso forte na inflação em ano eleitoral.

“O Brasil não é comprador de petróleo, compra um volume muito baixo, então o Brasil não é impactado diretamente pelo fechamento do Estreito de Hormuz. No entanto, como o Brasil é dependente da importação dos derivados, e os derivados aumentam com o aumento do preço do petróleo, então o Brasil é prejudicado nesse sentido”, explicou Araújo ao Estadão/Broadcast.

Segundo a entidade, com o petróleo perto dos US$ 80 o barril, a defasagem do diesel atingiu 23% na abertura desta segunda-feira, 2, e a da gasolina pulou para 17% nas refinarias da Petrobras.

Se, por um lado, a escalada da commodity vai melhorar a balança comercial e os ganhos das petroleiras, por outro, destaca Araújo, se ficar no patamar entre US$ 75 e US$ 80, como preveem especialistas, haverá pressão no preço dos derivados no mercado interno, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, mais dependentes das refinarias privadas e das importações, explicou o executivo.

“O petróleo corresponde de 35% a 40% na nossa balança comercial. Então, aumentando o valor dessa commodity, melhora ainda mais a nossa situação na balança comercial. E, consequentemente, as petroleiras, entre elas a Petrobras, que produzem petróleo. Para elas é bom, aumenta a receita sem aumento de custo”, explicou Araújo.

No mercado interno, porém, o choque do petróleo vai pressionar os combustíveis. Como cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina são importados, cada avanço de 10% no Brent já abriu defasagem de 23% no diesel e 17% na gasolina frente às cotações internacionais.

A expectativa do setor é que o barril permaneça entre US$ 75 e US$ 80 enquanto persistirem as tensões, longe dos US$ 100, mas suficiente para manter a pressão sobre tarifas e inflação.

Nesse cenário, sugere Araújo, poderia ser retomada no Congresso a proposta de criar um fundo de estabilização, financiado por parte dos royalties e participações especiais do setor de petróleo, para amortecer oscilações e blindar o consumidor sem tabelar a Petrobras.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Opep eleva projeção de produção de combustíveis líquidos do Brasil em 2026 e 2027

Produção brasileira de combustíveis líquidos ganha fôlego e Opep eleva projeção para 2026 com foco em novos projetos offshore de petróleo no país

Organização aumenta estimativa de crescimento na oferta de petróleo e combustíveis, apontando o avanço de campos estratégicos como Búzios e Bacalhau
Mercado eleva projeção para a inflação no ano pela 12ª semana consecutiva

Selic cai para 14,25%: Copom reduz juros e define novos rumos para a economia do Brasil

O Banco Central anunciou o terceiro corte consecutivo na taxa básica de juros, ajustando a estratégia para garantir estabilidade econômica até 2028.
CVC Capital vende grupo de marinas de iates D-Marin para a Infravia por € 1 bilhão, diz jornal

CVC Capital Partners vende marinas de iates de luxo por 1 bilhão de euros; entenda o negócio!

A venda bilionária da D-Marin para a InfraVia reflete o boom global no setor de superiates e a falta de vagas para as embarcações.
The Economist: Prepare-se para um apocalipse de empregos causado pela IA

Inteligência artificial e o futuro do trabalho: entenda o impacto real da tecnologia no mercado de empregos e os riscos de um possível colapso global

Especialistas debatem se a automação acelerada pode substituir a mão de obra humana ou se estamos diante de uma nova era de prosperidade tecnológica