A exposição crescente das crianças ao entretenimento digital deixou de ser uma pauta apenas da saúde e educação. Agora, a pressão chegou com força total na indústria de brinquedos físicos tradicionais.

Especialistas afirmam que os recentes pedidos de recuperação judicial de gigantes como Estrela e Xalingo são sinais claros. O tema da digitalização infantil já é um fator de risco crítico.

As empresas precisam agora buscar frentes mais amplas de atuação para sobreviverem. O mercado exige inovação constante para lidar com a concorrência das telas, conforme divulgado pelo Estadão.

Entenda por que a digitalização infantil levou gigantes como a Estrela ao pedido de recuperação judicial

A concorrência direta com as telas foi um dos motivos centrais alegados pela Estrela para o seu pedido de recuperação judicial. A empresa está prestes a completar 89 anos de história no mercado.

Em fato relevante, a empresa afirmou que a decisão veio da necessidade de reestruturação financeira. O cenário inclui aumento do custo de capital, restrição de crédito e mudanças de consumo.

No mês passado, a Xalingo, com 78 anos de fundação, também teve seu pedido autorizado. O objetivo da marca gaúcha é reestruturar dívidas que somam cerca de R$ 69,8 milhões atualmente.

Gigantes em busca de fôlego financeiro

O CEO da Xalingo, Claiton Fernandez, explica que a digitalização é um dos desafios enfrentados. Segundo ele, o movimento impacta hábitos de lazer e exige constante capacidade de inovação.

“A transformação digital e a mudança no comportamento de consumo das novas gerações são movimentos globais que impactam todo o setor de brinquedos”, destaca o executivo sobre o momento atual.

A empresa trabalha agora na revisão de portfólio e no fortalecimento comercial. A meta é garantir a sustentabilidade de longo prazo em um setor que passa por uma profunda transformação no Brasil.

O risco da inércia diante da tecnologia

Para a especialista Viviane Elias, a tecnologia dá sinais de interferência desde os anos 90. Ela acredita que as empresas não podem mais ignorar esse indicador em suas estratégias de riscos.

Viviane alerta que, se os gestores continuarem na inércia, novos casos de recuperação judicial podem surgir. É necessário trazer indicadores de consumo digital para os tomadores de decisão.

Já a pesquisadora Priscila Mendes afirma que a interação das crianças mudou significativamente. Há uma busca maior por interatividade e estímulos constantes, o que afeta os brinquedos tradicionais.

Equilíbrio entre o físico e o digital

Apesar da crise, Mendes acredita que não há uma substituição total do brincar concreto. O segredo para o setor de brinquedos seria encontrar um equilíbrio saudável entre as telas e o físico.

Dados da Abrinq mostram que o faturamento do setor está estagnado na casa dos R$ 5 bilhões. No ano passado, apenas 28% dos fabricantes brasileiros consideraram sua rentabilidade como boa.

O presidente da Abrinq, Synésio da Costa, afirma que o episódio da Estrela já era previsto. Ele acredita que o brincar é algo genético e que as fábricas estão se adaptando rapidamente.

O papel da concorrência internacional

Costa ressalta que o digital não é o único vilão do setor de brinquedos. Ele cita o fim da taxa das blusinhas e a concorrência com produtos chineses como fatores que preocupam muito mais.

“A taxa de juro, o prazo de venda e o contrabando são os responsáveis por tudo isso”, afirma o gestor. Para ele, é preciso reconstruir o jogo considerando essas novas variáveis do mercado global.

Marcas como Lego e Barbie já mostram o caminho com estratégias híbridas. Elas utilizam conteúdos audiovisuais de sucesso para impulsionar o desejo pelos produtos físicos nas lojas de todo o mundo.

A fonte original desta matéria é o Estadão.

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