A fusão que prometia criar a LVMH dos trópicos enfrenta sua maior tempestade. Alexandre Birman e Roberto Jatahy, líderes da Azzas 2154, estão em rota de colisão direta na justiça por conta da marca Reserva.

O embate gira em torno de mudanças estratégicas, o que gerou uma arbitragem para definir quem realmente manda na companhia. A situação expõe fissuras profundas na governança e no futuro das marcas do grupo.

O mercado acompanha de perto os desdobramentos, já que o valor das ações sofreu uma queda drástica desde a união das gigantes da moda, conforme divulgado pelo Estadão.

O conflito que abala a estrutura da Azzas 2154

A disputa entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy sobre mudanças na estrutura da marca Reserva ganhou um novo capítulo com a abertura de uma arbitragem entre os dois lados, expondo tensões internas.

A crise voltou aos holofotes após Jatahy ingressar com uma cautelar para tentar barrar alterações promovidas por Birman. A liminar foi mantida pelo Tribunal de Justiça fluminense, levando a disputa para a arbitragem.

A disputa pela autonomia da marca Reserva

Pessoas próximas a Jatahy afirmam que o empresário enxerga a reorganização como uma desintegração do modelo construído na companhia. Ele alega que as mudanças ocorreram sem a aprovação prévia do conselho administrativo.

Por outro lado, a Azzas afirmou ter sido surpreendida pela ação judicial. A empresa diz que a gestão da unidade de moda masculina compete a Birman, nos termos do estatuto social e do acordo de acionistas firmado.

Queda na Bolsa e o risco de um divórcio inevitável

Em menos de dois anos após a fusão, as ações da Azzas acumulam desvalorização de 55,33%. O cenário de incertezas e a briga judicial fazem com que investidores questionem a capacidade de captura das sinergias prometidas.

Uma fonte ligada ao grupo de Jatahy afirmou que, depois da judicialização, o divórcio parece inevitável. O clima interno é de incerteza sobre a convivência societária entre as lideranças da Arezzo e do Grupo Soma.

Diferença de estilos e o futuro das sinergias

Nos bastidores, Birman é descrito como um executivo centralizador e focado na execução operacional. Já Jatahy é associado a um perfil ligado à construção cultural das marcas, preferindo uma gestão mais descentralizada.

A reorganização colocava em risco cerca de R$ 116 milhões em sinergias ligadas à integração. O plano previa transferir a estrutura da Reserva para Blumenau, Santa Catarina, dentro da operação da Hering, o que gerou revolta.

Arbitragem e a contratação de assessoria financeira

A Azzas confirmou a contratação do Itaú BBA para assessorar análises classificadas como preliminares e exploratórias sobre alternativas estratégicas. Isso reforça os rumores de uma possível cisão das operações em breve.

O especialista Eduardo Terra afirma que a arbitragem é o extremo do que se tenta resolver internamente. Quando uma disputa societária chega nesse nível, normalmente já existe destruição de valor para todos os lados envolvidos.

A fonte original é o Estadão.

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