A saúde menstrual ainda é um tema negligenciado nas políticas corporativas brasileiras. Embora os sintomas físicos sejam uma realidade constante, muitas empresas tratam cólicas, fadiga e dores de cabeça como questões individuais, ignorando o impacto direto desses desconfortos na rotina de trabalho.

Dados reveladores apontam que 9 em cada 10 profissionais que menstruam sentem impactos negativos na produtividade. Mesmo assim, 75% das companhias nunca consideraram o tema como uma pauta estratégica, conforme divulgado pelo Estadão.

A falta de suporte gera um custo real: as empresas perdem 22 dias de trabalho a cada 100 colaboradoras. O cenário reflete uma lacuna crítica de gestão que, muitas vezes, resulta em punições veladas para as mulheres que lidam com dores intensas.

A realidade invisível das profissionais brasileiras

Pesquisas recentes indicam que apenas 1,9% das mulheres não sentem nenhum tipo de incômodo durante o ciclo. Para a grande maioria, sintomas como irritabilidade, cólicas severas, cansaço excessivo e dores na lombar tornam a jornada laboral um desafio diário que afeta a performance.

A pressão por produtividade faz com que muitas funcionárias escondam seu estado de saúde por medo de represálias. O estudo aponta que uma em cada quatro entrevistadas já sofreu consequências negativas, como descontos salariais, assédio ou até mesmo a negação de promoções devido ao período menstrual.

Tabus e falta de evidências nas empresas

Palmira Camargo, diretora da Essity, destaca que a ausência de conhecimento e a normalização do sofrimento impedem mudanças sistêmicas. Sem dados concretos, as empresas tendem a ignorar a necessidade de criar um ambiente mais acolhedor e inclusivo para suas colaboradoras.

O levantamento mostra que 65,4% das empresas possuem um nível baixo de compreensão sobre o tema. A estratégia, segundo especialistas, é provar que o apoio à saúde menstrual não é apenas uma questão de bem-estar, mas um diferencial competitivo que evita perdas econômicas.

Medidas simples para garantir equidade

O suporte necessário para reverter esse cenário não exige investimentos vultosos, mas sim ajustes na cultura organizacional. A lista de prioridades inclui a flexibilidade na jornada, a oferta de analgésicos e a realização de palestras para reduzir o estigma sobre o assunto.

A implementação dessas práticas é vista como um passo essencial para a verdadeira diversidade e inclusão. Ignorar a realidade biológica das funcionárias impede que elas atinjam seu pleno potencial, prejudicando o desempenho coletivo de toda a organização.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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