O banco Digimais, controlado pelo líder da Igreja Universal, Edir Macedo, vive um momento crítico com suas contas financeiras. Auditorias recentes apontaram que cerca de 75% dos R$ 4 bilhões investidos pela instituição não puderam ser verificados por falta de documentação comprobatória.
A situação ganha contornos de preocupação devido ao destino desses recursos. A instituição destinou valores significativos para empreendimentos imobiliários que carecem de autorizações legais ou possuem histórico de conflitos fundiários em áreas de preservação ambiental, conforme divulgado pelo Estadão.
O cenário de instabilidade ocorre no mesmo período em que o banco passou por uma reestruturação administrativa e busca alternativas para sair da crise. A negociação com o BTG Pactual surge como uma das tentativas de resolver a situação financeira da instituição.
Investimentos sob suspeita e falta de transparência
Documentos analisados revelam que o banco utilizou fundos de investimento para alocar R$ 2,3 bilhões em projetos distantes da realidade operacional. Muitos desses ativos não possuem licenças básicas de construção, levantando questionamentos de auditores sobre a saúde financeira do banco.
Além disso, o Digimais é investigado pela Polícia Federal por supostas fraudes. A estratégia de alocar recursos em fundos opacos teria sido utilizada, segundo fontes do mercado, para mascarar problemas contábeis e a alta inadimplência na carteira de crédito da instituição.
Patrimônio da humanidade e disputas em Paraty
Um dos fundos, denominado Cajaíba, investe em terras na Praia Grande da Cajaíba, em Paraty. A região, marcada por proteção ambiental e social para comunidades caiçaras, é alvo de disputas judiciais antigas envolvendo acusações de grilagem e intimidação por parte de proprietários.
A empresa responsável, Cajaíba Participações, nega qualquer irregularidade e afirma que o banco possui apenas participação minoritária. O projeto, que já tentou aprovar um resort de luxo no passado, agora foca em uma proposta de preservação e créditos de restauração ambiental.
Terreno vazio em Pernambuco
Outro caso que chama a atenção envolve o fundo ID Goiana, voltado para um projeto de condomínio em Pernambuco. Apesar do patrimônio alocado, o local permanece como um terreno vazio, sem licenças da prefeitura local para qualquer tipo de obra de infraestrutura.
As imagens de satélite mostram apenas vegetação na área de 700 hectares, contradizendo as expectativas de retorno que justificariam o aporte financeiro. A falta de documentação clara mantém o projeto estagnado e sob vigilância constante dos órgãos de controle.
Mudança de comando e negociações com o BTG
A gestão do banco passou por uma transição em 2025, com a chegada de Aldemir Bendine à presidência, substituindo o bispo João Urbaneja. A mudança ocorre enquanto o BTG Pactual avalia a aquisição da carteira de clientes do Digimais, condicionada a leilões e suportes financeiros.
A eventual transação ainda depende da aprovação de órgãos reguladores e do cumprimento de diversas condições precedentes. Enquanto isso, o banco continua sendo objeto de escrutínio por parte de auditores independentes e autoridades que buscam entender o destino dos bilhões investidos.
A fonte original é a [Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo](https://www.estadao.com.br/economia/banco-edir-macedo-dinheiro-fundo-terreno-vazio-praia-isolada-protegida-uniao/).







