Desafios estruturais da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos

A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, a PNMCE, está sendo debatida no Senado com o objetivo de fortalecer a governança e trazer novos incentivos para a mineração brasileira. Apesar do avanço, especialistas apontam que o texto ignora o financiamento à pesquisa mineral.

Esta fase inicial, conhecida como exploração, avalia se um depósito tem viabilidade econômica. O processo envolve riscos ambientais e geológicos, além de um retorno incerto. Conforme divulgado pelo Estadão, a falta de capital interno empurra empresas para o exterior.

Como consequência, as chamadas junior minings buscam recursos fora do Brasil, fazendo com que a valorização de ativos minerais brasileiros ocorra majoritariamente em bolsas estrangeiras. O cenário atual exige estratégias de fomento mais agressivas.

O modelo canadense como referência internacional

O Canadá se consolidou como uma referência mundial no setor ao adotar o sistema de flow-through shares. Esse mecanismo transfere benefícios fiscais da pesquisa aos investidores, reduzindo significativamente o custo final do projeto de exploração.

O sistema canadense conta com créditos fiscais federais que chegam a 30% para a busca de minerais críticos, além de incentivos provinciais extras. Essa estrutura atrai o capital de risco necessário para as etapas mais arriscadas da mineração.

Limitações das novas medidas propostas

Embora a PNMCE introduza o Fundo Garantidor da Atividade Mineral e incentive investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o setor considera as medidas insuficientes. O fundo atual funciona apenas como garantia, sem oferecer o capital exploratório necessário.

Além disso, a obrigatoriedade de investimento em P&D exclui as junior minings, que ainda não possuem receita própria. O crédito de 20% da CSLL também foca no beneficiamento, uma etapa de baixo risco que já recebe atenção do capital privado.

Risco regulatório e o paradoxo da mineração brasileira

Para especialistas, a exploração exige capital de risco real e não crédito oneroso com garantias elevadas. Existe a preocupação de que medidas como a triagem prévia de operações acabem elevando o risco regulatório e afastando o interesse do mercado.

Sem um estímulo direto à pesquisa, o Brasil mantém um paradoxo histórico: detém algumas das maiores reservas minerais do planeta, mas sua produção permanece aquém do potencial devido à fuga de capitais para outras jurisdições.

Necessidade de ajustes no Senado

Caberá aos senadores o papel crucial de ajustar os pontos críticos da proposta. Sem fomentar a fase de descoberta, o país terá dificuldades em viabilizar a matéria-prima necessária para as transformações industriais que a própria PNMCE pretende promover.

A fonte original é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa clicando aqui: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
‘Temos uma tempestade perfeita no agro com vários alertas piscando ao mesmo tempo’, diz ministro

Tempestade perfeita no agronegócio: ministro aponta desafios críticos e busca soluções urgentes para produtores rurais brasileiros neste ano

André de Paula assume o Ministério da Agricultura enfrentando impactos da guerra no Irã, endividamento elevado e a necessidade de um Plano Safra mais robusto.
Grupo Pão de Açúcar: valor de mercado cai de R$ 24 bilhões para R$ 1,2 bilhão em quatro anos

Grupo Pão de Açúcar: valor de mercado cai de R$ 24 bilhões para R$ 1,2 bilhão em quatro anos

Queimando caixa desde 2022 para pagar juros de uma dívida crescente, o…
Reis Velloso deu exemplo de pensamento estratégico e visão de desenvolvimento do País

Reis Velloso: o legado do ex‑ministro do Planejamento que uniu estratégia econômica e desenvolvimento do Piauí

Conheça a trajetória de Reis Velloso, das aulas na FGV‑Rio e Yale ao apoio à criação da Embrapa e ao fortalecimento do Piauí
Mapa do emprego: quais profissões estão encolhendo no Brasil por causa da IA e da digitalização

Sua profissão vai sumir? Veja a lista das carreiras que a inteligência artificial mais ameaça

O avanço da inteligência artificial no Brasil já eliminou milhares de vagas em setores como administração e comércio, segundo estudo recente.