Dezoito milhões de brasileiros vivem atualmente em favelas, um território que pulsa criatividade e movimenta um mercado bilionário. Para especialistas, o sucesso no setor depende de uma mudança radical na forma como o mercado tradicional se comunica com esse público.
O conceito central é a necessidade das empresas aprenderem a falar o chamado favelês. De acordo com o CEO da CUFA, Celso Athayde, dominar essa linguagem é uma condição básica para estabelecer uma relação de respeito e confiança dentro das comunidades.
A discussão ocorreu durante o painel Você fala favelês?, realizado no São Paulo Innovation Week. Segundo informações divulgadas pelo Estadão, o evento trouxe reflexões sobre como as marcas devem abandonar a postura de catequização e focar no protagonismo local.
A potência das comunidades como motor econômico
Há décadas, Celso Athayde trabalha para transformar a percepção do asfalto sobre os territórios periféricos. Sua premissa fundamental, cunhada em 1994, resume a visão atual de muitos empreendedores: Favela não é carência, favela é potência.
Essa força econômica é visível na estrutura da CUFA, que hoje opera em 79 países e mantém parceria com 15 multinacionais. O objetivo é integrar a favela ao mercado global sem que ela perca sua identidade ou sua capacidade de produzir valor próprio.
Comunicação customizada para cada realidade
O impacto de uma campanha publicitária depende diretamente da adequação ao ambiente. Marcus Athayde, CEO da Favela Holding, ressalta que um outdoor no centro de São Paulo não possui a mesma eficácia se replicado sem adaptações em Heliópolis ou Paraisópolis.
Agências como a Africa Creative já entenderam essa complexidade. O diretor Angerson Silva destaca que o país é composto por diversos Brasis, e que caminhar ao lado de quem conhece a realidade local é essencial para garantir a eficiência das marcas.
Qualificação e o sonho do asfalto
Para além da comunicação, existe o desafio da formação profissional. Celso Athayde defende que os empreendedores das favelas precisam de capacitação técnica para que seus negócios alcancem voos mais altos e conquistem novos espaços no asfalto.
O desejo de expandir marcas das periferias para outros mercados é legítimo, mas exige preparo. A educação e o acesso a recursos são vistos como os pilares que permitirão a esses talentos competir em pé de igualdade com grandes players do mercado nacional.
Destaque no São Paulo Innovation Week
O festival, que reúne especialistas em diversas áreas como tecnologia e sustentabilidade, serve como palco para essas discussões. Até esta sexta-feira, 15, o evento promove um intercâmbio entre inovação e realidades sociais diversas.
A programação ainda se estende para Centros Educacionais Unificados, levando debates gratuitos para diferentes regiões da cidade. A iniciativa busca democratizar o acesso ao conhecimento sobre economia, filosofia e ciência para populações de todas as periferias.
A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







