A inteligência artificial (IA) vive um novo momento nas corporações, deixando de ser apenas um suporte operacional para atuar como uma agente autônoma nos processos internos. A mudança no modelo de aplicação da tecnologia foi um dos temas centrais discutidos durante o São Paulo Innovation Week.

Especialistas destacam que a transição marca a transformação da tecnologia em uma participante ativa dentro das operações. Conforme divulgado pelo Estadão, a abordagem permite que a IA assuma funções operacionais complexas, liberando o capital humano para atividades que exigem maior cognição.

“Estamos mudando o uso IA como ferramenta para virar participante. Essa mudança está sendo real em muitas empresas. A IA agêntica é quando ela se transforma em operadora dos processos também”, afirmou Neil Redding, CEO da Redding Futures durante o painel sobre o tema.

IA agêntica ganha espaço na operação das empresas

A aplicação prática dessa tecnologia já pode ser observada em gigantes do mercado. Na Samsung Brasil, por exemplo, a IA é utilizada para realizar a leitura de milhares de feedbacks de clientes em plataformas de varejo online, um trabalho que seria inviável para humanos.

Lucia Bittar, diretora de marketing da Samsung, pontua que a IA consegue processar cerca de 50 mil avaliações. Segundo ela, ao assumir o operacional, a tecnologia permite que os funcionários foquem suas habilidades cognitivas em áreas de maior potencialidade para o negócio.

Triagem inteligente e atendimento ao cliente

No setor de saúde, a Hapvida implementou a assistente virtual Eugênia para otimizar o fluxo de atendimento. O robô realiza uma triagem completa, avaliando necessidades, custos e configurações familiares antes de encaminhar o usuário para um humano.

Bernardo Marotta, diretor de Marketing da companhia, afirma que a solução reduziu a frustração das equipes, que passam a lidar apenas com interessados. “A Eugênia até consegue fazer a venda inteira, mas vender plano de saúde é muito complexo”, reforçou o executivo.

Testes internos e resultados bilionários

A IBM Brasil adotou uma estratégia diferenciada com a metodologia Client Zero. A empresa testa suas próprias tecnologias de IA agêntica internamente em áreas como recursos humanos e TI antes de disponibilizá-las comercialmente para seus clientes ao redor do mundo.

O impacto financeiro foi expressivo. Fabrício Lira, diretor de IA e Dados na IBM Brasil, informou: “A gente esperava ter R$ 2,5 bilhões em dois ou três anos de operação, mas chegamos a R$ 4 bilhões em otimização. E a IA não influenciou reduzir o número de funcionários”.

Festival promove inovação e tecnologia

O São Paulo Innovation Week se consolida como um evento global de tecnologia, reunindo especialistas para debater os rumos da inteligência artificial. O festival conta com uma ampla programação que se estende por diversos pontos da cidade de São Paulo.

Além dos painéis para o mercado, a iniciativa promove eventos gratuitos em centros educacionais nas periferias. A programação inclui debates sobre ciência, inovação e sustentabilidade, aproximando as discussões tecnológicas do grande público paulistano.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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