A Opep, conhecida por sua tentativa histórica de controlar o mercado global de petróleo, enfrenta um momento de fragilidade. Recentemente, o grupo voltou a elevar suas cotas de produção em 206 mil barris por dia, tentando conter a volatilidade nos preços da commodity em meio a um cenário de tensões geopolíticas severas.

A organização, que já deteve um poder imenso, viu sua influência diminuir após o anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos. Esse movimento fragiliza ainda mais a capacidade do cartel de ditar as regras do abastecimento mundial, especialmente em um período marcado pelo conflito entre EUA, Israel e Irã, conforme divulgado pelo Estadão.

A crise se aprofunda porque a medida de aumento de produção enfrenta um obstáculo físico intransponível: o fechamento do Estreito de Ormuz. Sem essa rota vital para o escoamento, a tentativa da Opep+ de equilibrar o mercado torna-se pouco eficaz diante da interrupção forçada de 10% do fornecimento global.

O declínio da influência da Opep no mercado global

Criada na década de 1960, a Opep tinha como objetivo inicial estabilizar os mercados. Contudo, o contexto atual é muito diferente daquele em que o cartel ditava os preços sem grandes concorrências. A saída de membros e o avanço da produção de xisto nos EUA reduziram a margem de manobra dos países exportadores.

O surgimento e a evolução do cartel

Antes da Opep, as chamadas Sete Irmãs (empresas petrolíferas dominantes) controlavam as reservas mundiais. Segundo Jeff Colgan, da Brown University, a fundação do grupo foi uma resposta à exploração sofrida pelos países produtores, embora, nas primeiras décadas, o impacto econômico tenha sido limitado.

O auge da força do cartel ocorreu apenas nos anos 70, durante o embargo de petróleo. Naquela época, o grupo respondia por mais da metade do abastecimento global, uma realidade que mudou drasticamente com a descentralização da produção de petróleo nas últimas décadas.

O desafio do Estreito de Ormuz

O mercado de energia vive um momento singular. Mesmo que a Opep+ tente gerir a oferta, o bloqueio no Estreito de Ormuz impede que o petróleo chegue ao mercado, mantendo os preços pressionados. Especialistas afirmam que previsões de longo prazo são difíceis antes da reabertura desta rota.

A estrutura da aliança Opep+

Para recuperar sua solidez, o grupo criou a Opep+, uma aliança que inclui a Rússia. O objetivo era coordenar os níveis de produção para estabilizar orçamentos nacionais, mas a recente turbulência geopolítica coloca em xeque a capacidade dessa união de manter o controle sobre o valor final do barril.

O artigo original sobre o funcionamento e o impacto da Opep no cenário atual pode ser conferido no Estadão: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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