Javier Milei está em uma missão para mudar permanentemente os rumos da Argentina e evitar que o país retorne ao caos econômico. O foco principal agora é uma reforma profunda nas leis que regem o Banco Central.

O objetivo é claro, impedir que qualquer governante futuro possa saquear a instituição e imprimir dinheiro de forma desenfreada. Essa prática é apontada como a principal causa da inflação histórica que assombra os argentinos.

A proposta envolve mudanças estruturais que podem ser as mais importantes das últimas nove décadas no país, buscando garantir a estabilidade financeira a longo prazo, conforme divulgado pelo Estadão.

O plano de Javier Milei para blindar a Argentina contra a inflação

A inflação na Argentina tem sido um flagelo histórico, alimentada por gastos públicos excessivos e a emissão de moeda para cobrir déficits. Quando Milei assumiu, o índice estava em 13% ao mês, mas caiu para 1,9% após cortes rígidos.

O presidente agora quer uma lei que proíba o financiamento do governo pelo Banco Central. A meta única da instituição passaria a ser a preservação do valor da moeda, protegendo a economia de decisões políticas populistas.

Para garantir essa independência, a proposta exige uma maioria de dois terços no Congresso para destituir o governador do banco. Milei busca evitar que sucessores revertam suas medidas de austeridade fiscal com facilidade.

Reformas para impedir a impressão de dinheiro

Entre as medidas anunciadas, destaca-se a proibição explícita do financiamento monetário em todos os níveis de governo. Milei também sugeriu sanções penais para funcionários do Banco Central que facilitem a emissão de moeda.

Essa abordagem é considerada extremamente incomum por especialistas. Além disso, o pacote inclui a liberalização dos mercados de capitais e uma lei que pode paralisar o governo caso os gastos excedam a arrecadação de impostos.

Embora as reformas sejam vistas como louváveis por economistas liberais, elas ainda deixam arestas, como a falta de clareza sobre o processo de nomeação de diretores e a manutenção de certos controles cambiais rígidos.

Obstáculos no controle do câmbio e do dólar

Apesar do perfil libertário, Milei ainda mantém restrições sobre o preço do dólar. Ele teme que a volatilidade excessiva no curto prazo possa alimentar novamente a inflação e prejudicar a recuperação econômica em andamento.

Essa postura gera críticas de consultorias e até do FMI, que preferia ver o Banco Central focado em taxas de juros, em vez de apenas na oferta de moeda. A influência de Milei na política monetária ainda é vista como muito forte.

A falta de uma regra clara sobre como reagir às variações inflacionárias cria incertezas no mercado. Para muitos, a verdadeira independência do Banco Central da Argentina ainda está longe de ser uma realidade consolidada.

Aprovação popular e os riscos políticos

Apesar dos avanços macroeconômicos, como a elevação da nota de crédito do país, a aprovação de Milei atingiu o nível mais baixo em julho. O crescimento econômico está concentrado em poucos setores e o desemprego formal preocupa.

A estratégia de Milei também possui um componente político externo. Há percepções de que sua proximidade com figuras como Donald Trump visa fortalecer uma narrativa de redes sociais para sustentar sua base aliada e questionar sistemas tradicionais.

Para que o projeto de Milei sobreviva, ele precisa apresentar resultados tangíveis para a população antes das eleições de 2027. Sem o apoio popular, até as leis mais rígidas podem ser derrubadas por uma nova maioria simples no Congresso.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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