São Paulo vive um momento de transformação urbana, mas a revitalização do Centro ainda enfrenta desafios para incluir a população de baixa renda. O foco agora é acelerar a renovação de prédios antigos.
A Prefeitura de São Paulo identificou que a adesão de projetos voltados para famílias de baixa renda ainda é baixa. Por isso, a gestão municipal prepara um novo chamamento público com foco em moradia.
O objetivo é garantir que os recursos públicos cheguem aos empreendimentos que realmente oferecem habitação acessível na capital paulista, conforme divulgado pelo Estadão.
A expansão do programa de retrofit e o foco em habitação popular
Dos 31 projetos beneficiados com a subvenção econômica da Prefeitura para realizar retrofit em prédios centrais, apenas seis são destinados a habitações de interesse social atualmente.
Para tentar reverter esse cenário, a Prefeitura ampliou o alcance da política para toda a Área de Intervenção Urbana do Setor Central, saltando de uma área de 1.170 para 2.780 hectares.
Isso inclui bairros como Bom Retiro, Pari e trechos da Liberdade. A ampliação decorre da avaliação dos três primeiros chamamentos, que apontou menor adesão dos empreendimentos de moradia popular.
Meta de 1 bilhão de reais até 2027
Até o momento, três editais disponibilizaram R$ 400 milhões em recursos, mas apenas R$ 69,5 milhões foram garantidos. A meta da gestão atual é oferecer um total de R$ 1 bilhão até o ano de 2027.
A Prefeitura explica que o montante corresponde ao valor ofertado e não ao valor consumido, uma vez que a concessão depende de critérios técnicos rigorosos para a liberação do dinheiro.
Os incentivos são entregues conforme o cumprimento de requisitos como valorização do patrimônio histórico e soluções sustentáveis, respeitando o limite máximo de 25% de subvenção por projeto.
O exemplo do edifício José Bonifácio 104
Um exemplo de como o retrofit pode funcionar é o edifício José Bonifácio 104, no Largo São Francisco. O prédio da década de 1930 receberá R$ 3 milhões para criar 56 novos apartamentos.
O projeto destina 40% da área para Habitação de Interesse Social (HIS 2), com foco em famílias que ganham entre três e seis salários mínimos, priorizando mulheres que são chefes de família.
A CEO da incorporadora Citas, Isadora Rebouças, destaca que o aluguel deve ser acessível. No Citas República, por exemplo, há pacotes a partir de R$ 1.750, incluindo condomínio e IPTU.
Desafios e críticas sobre o impacto social
Apesar dos incentivos, especialistas alertam para os riscos. Rafael D’Andrea, da CAMP, afirma que é necessário tornar os projetos de habitação social economicamente mais competitivos no mercado atual.
Renato Cymbalista, professor da USP, acredita que o aumento da área de subsídio pode não bastar. Para ele, a solução exige parcerias com movimentos sociais e entidades sem fins lucrativos.
Projetos como o Edifício Santa Therezinha e o Hotel Columbia Palace são exceções que usarão o Minha Casa, Minha Vida. Ao fim das obras, a Cohab fará a doação das unidades aos beneficiários.
A fonte original desta notícia é o Estadão, que publicou a matéria em seu portal oficial: Estadão | Escassez de retrofit para moradia popular estimula expansão de área para subsídios da Prefeitura.







