Desde 1989, o setor de saneamento da Inglaterra vive sob o modelo privado, impulsionado pela fúria privatizante do governo de Margaret Thatcher. Na época, acreditava-se fielmente que a gestão privada traria benefícios automáticos.
No entanto, décadas depois, a realidade da Thames Water mostra que o pragmatismo deu lugar a problemas graves. O aumento das tarifas superou a inflação, enquanto os investimentos necessários foram deixados em segundo plano pela companhia.
Com dívidas bilionárias e serviços questionados, a empresa agora enfrenta o risco real de insolvência, o que levanta debates sobre a volta do controle estatal, conforme divulgado pelo Estadão.
A crise da privatização da Thames Water na Inglaterra
A trajetória da Thames Water é um exemplo de como a busca incessante pelo lucro pode colidir com o interesse público. Após ser privatizada, a empresa focou em cortar custos de forma agressiva para garantir retornos rápidos.
Enquanto os investimentos em infraestrutura eram reduzidos, executivos recebiam bônus milionários e acionistas embolsavam dividendos generosos. Essa lógica, puramente comercial, negligenciou a manutenção de um serviço essencial para a população.
O caminho para a insolvência e a reestatização
O cenário piorou drasticamente com a subida dos juros após a pandemia, encontrando a companhia altamente endividada. Somado a isso, uma multa pesada de 122,7 milhões de libras agravou a saúde financeira da Thames Water.
Atualmente, o novo primeiro,ministro trabalhista, Andy Burnham, já cogita a reestatização como saída. A capitalização com dinheiro público é mal vista, e os consumidores dificilmente aceitariam novos aumentos de tarifas para salvar a empresa.
Lições importantes para o cenário brasileiro
O fracasso britânico traz reflexos diretos para o Brasil, especialmente quando observamos casos como o da Enel. A privatização de monopólios naturais exige regras de jogo extremamente rígidas e uma fiscalização constante do Estado.
Economistas apontam que a função de uma empresa privada é maximizar o lucro, logo, cabe aos órgãos reguladores garantir que o interesse público seja respeitado. Sem agências fortes, o desastre operacional torna,se inevitável.
O paradoxo do Estado forte no livre mercado
A conclusão que fica é que, para uma privatização exitosa, é necessário um Estado atuante e capaz de intervir quando necessário. A falta de concorrência em setores de saneamento e energia exige vigilância redobrada.
Conforme destaca a análise, “uma privatização exitosa requer um Estado forte, capaz de forçar a convergência entre interesses públicos e privados”. Sem isso, a qualidade cai e o prejuízo acaba retornando para as mãos do cidadão.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







