Venda estratégica redefine o futuro da Mover Participações

A Mover Participações, antiga Camargo Corrêa, concretizou a venda de sua fatia de 14,86% na empresa de infraestrutura Motiva, anteriormente conhecida como CCR. O negócio foi fechado com o Bradesco BBI por um montante superior a R$ 5 bilhões, conforme divulgado pelo Estadão.

Com essa operação, a Mover consegue quitar uma dívida de aproximadamente R$ 3,3 bilhões com o braço de investimentos do grupo Bradesco. O saldo restante, de cerca de R$ 500 milhões, reforça o caixa da companhia após a dedução de impostos e encargos financeiros.

O pacote de ações servia como garantia para empréstimos contraídos pela cimenteira InterCement, também pertencente à Mover. A conclusão da venda agora depende apenas do direito de preferência dos atuais controladores da Motiva, que possuem um prazo de 30 dias para análise.

O papel dos atuais acionistas da Motiva

Os atuais controladores da Motiva — grupos Votorantim, Itaúsa e Soares Penido — detêm, cada um, 10,3% das ações dentro do bloco de controle. Eles devem decidir se exercem a preferência pela compra das ações da Mover ou se aceitam a entrada do Bradesco BBI como novo sócio no bloco.

A transação atraiu interesse de diversos investidores globais ao longo dos últimos meses. Antes do desfecho com o Bradesco BBI, fundos internacionais como o canadense La Caisse e o fundo soberano de Singapura, GIC Private, chegaram a negociar o ativo.

Valorização da Motiva e a joia da coroa

A venda da participação na Motiva foi vista como um movimento fundamental para a Mover, que entrou em recuperação judicial no final de 2024. A concessionária de infraestrutura era considerada a principal joia da coroa entre os ativos da holding.

O valor de mercado da Motiva apresentou crescimento relevante nos últimos meses, atingindo cerca de R$ 33 bilhões recentemente. A Mover obteve um prêmio na transação, garantindo um valor acima da cotação de mercado na B3 no momento da venda.

Caminho livre para o encerramento da recuperação

O sucesso da operação com o Bradesco BBI permite à Mover encerrar seu processo de recuperação judicial com mais tranquilidade. A empresa já havia resolvido pendências menores com fornecedores e agora elimina seu principal passivo financeiro junto ao banco.

Além disso, o grupo concluiu em abril a transferência da InterCement para novos acionistas, incluindo o empresário argentino Marcelo Mindlin e as gestoras Redwood Capital e Moneda Pátria, consolidando um ciclo de reestruturação financeira profunda para a companhia.

Esta notícia foi elaborada com base em informações publicadas pelo Estadão. Para ler o conteúdo completo, acesse a matéria original em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

You May Also Like
Crédito à CSN deve ter mecanismo para forçar venda da divisão de cimentos

Crédito à CSN deve ter mecanismo para forçar venda da divisão de cimentos

A lógica da taxa progressiva é que, com a venda da CSN…
Derrubada das tarifas de Trump pela Suprema Corte abre disputa bilionária por reembolsos

Derrubada das tarifas de Trump pela Suprema Corte abre disputa bilionária por reembolsos

Na última sexta-feira, 20, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as…
Líder do PT defende abril como prazo máximo para governo Lula enviar projeto sobre 6x1 se PEC travar

Líder do PT defende abril como prazo máximo para governo Lula enviar projeto sobre 6×1 se PEC travar

Entenda o debate sobre fim da escala 6×1 no Congresso 4:48 Governo…
Venda de ativos do Master pelo BRB requer operação contábil incerta e não resolve problema de aporte

Venda de ativos do Master pelo BRB: operação contábil incerta que pode deixar rombo de até R$ 5 bilhões e exigir aporte de R$ 6,6 bilhões

Entenda os detalhes da proposta de Celina Leão, os riscos de inflar o balanço e o papel do FGC na tentativa de salvar o banco estatal