A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou nesta sexta-feira, 10, uma operação para vender ativos do Master que ainda constam no balanço do BRB. A medida visa reduzir o rombo causado pela crise do Master, mas traz dúvidas sobre a precificação contábil dos ativos.

Se tudo correr como o esperado, o prejuízo do banco seria de cerca de R$ 5 bilhões, porém o valor total a ser coberto pelo acionista controlador pode ser maior devido à necessidade de vender outros ativos com deságio.

O governo do DF também busca um empréstimo de pelo menos R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e bancos privados, enquanto o governo federal se mantém distante da operação. Fonte: Estadão

O que está em jogo na venda de ativos do Master

Preços, pagamentos e incertezas

O BRB detinha R$ 21,9 bilhões em ativos do Master. Destes, R$ 1,9 bilhão já estavam em negociação. O plano agora é vender os restantes R$ 20 bilhões a um comprador ainda não revelado, recebendo R$ 4 bilhões à vista e R$ 11 bilhões em ações de subsidiárias.

No melhor cenário, o banco receberá R$ 15 bilhões pelos ativos, o que representa perdas de R$ 5 bilhões. Contudo, a parte em ações exige uma avaliação de mercado, levantando dúvidas sobre quem fará a mensuração e se o Banco Central aceitará o número.

Risco de inflar o balanço

Especialistas temem que a inclusão das ações de subsidiárias possa inflar artificialmente o balanço do BRB, mascarando a real situação patrimonial. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já ressaltou que a crise do banco é de patrimônio, não de liquidez, e que aportes são indispensáveis para evitar a liquidação.

Busca de financiamento e postura do governo

Para fechar o rombo, o DF pretende levantar R$ 6,6 bilhões junto ao FGC e bancos de São Paulo, mas o FGC não atuará sozinho. Bancos privados exigem garantias robustas do governo, que ainda não foram apresentadas.

O governo federal, liderado por Lula, prefere não se envolver diretamente, deixando a tarefa a cargo da nova gestão do DF.

Impacto da mudança na liderança do DF

A substituição de Ibaneis Rocha por Celina Leão traz esperança de uma postura mais proativa na solução da crise. Enquanto Rocha era acusado de esconder decisões vinculadas ao Master, Leão procura dialogar com o governo federal e avançar nas negociações.

Mesmo com o esforço da nova administração, a operação ainda possui diversas pontas soltas e dependerá da aprovação regulatória e da efetiva captação de recursos.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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