A recente divulgação de um relatório técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) trouxe à tona acusações graves contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento, que reforça o trabalho do Banco Central, aponta irregularidades que podem levar Vorcaro à delação premiada.

O caso ganhou mais destaque após o empresário Yan Hirano, de 51 anos, afirmar ter sido vítima de um golpe envolvendo terrenos na região do Arco Metropolitano, projeto que já foi alvo da Operação Lava Jato. Segundo Hirano, a fraude teria sido orquestrada por Vorcaro e Benjamin Botelho, gestor da Sefer, ambos investigados pela Polícia Federal.

As alegações de Hirano foram extraídas de processos judiciais no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, conforme acesso exclusivo do Estadão. O empresário descreve um esquema que misturou investimentos em fundos imobiliários, sobrevalorização de ativos e pagamentos em unidades imobiliárias que não existiam.

Detalhes do suposto esquema de fraude

Parceria entre Vorcaro e Botelho

Hirano afirma que, em 2008, comprou milhares de metros quadrados de terra ao redor do futuro trajeto do Arco Metropolitano. Em 2010, Botelho o abordou para incorporar os terrenos ao fundo imobiliário Aquilla, administrado pela Sefer. “Era tudo mato, ninguém pisava”, recorda Hirano ao Estadão.

Sobrevalorização artificial de ativos

Segundo o empresário, o fundo Aquilla comprou um terreno por R$ 3,1 milhões em 2013, que foi revendido à empresa Queimados Negócios Imobiliários por R$ 9,1 milhões em 2015 – três vezes o valor original. Esse tipo de operação teria inflado o balanço do Banco Máxima, precursor do Master.

Pagamentos em imóveis e unidades inexistentes

Ao exigir o retorno prometido, Hirano recebeu propostas de pagamento por meio de empresas ligadas a Vorcaro, como Milo Investimentos e Vicking Participações. Os bens oferecidos incluíam unidades de empreendimentos em Belo Horizonte, que mais tarde foram interrompidos, além de imóveis supostamente pertencentes ao Banco Máxima.

Relações com a Operação Fundo Fake

Hirano também foi citado na Operação Fundo Fake, que investigou fraudes em fundos de pensão entre 2010 e 2016. O fundo Aquilla recebeu cerca de R$ 60 milhões de institutos de previdência públicos, sem retorno, e teria transferido recursos a pessoas ligadas a Botelho, inclusive Hirano, que teria recebido ao menos R$ 1 milhão.

O empresário ainda destaca a presença de Oliver Ortiz, investidor espanhol ligado ao cartel do Vale do Norte, em transações que avaliaram terrenos em R$ 12,4 milhões, embora o custo real fosse de apenas R$ 610 mil. Segundo documentos da Delegacia de Repressão ao Entorpecente do Rio, Ortiz mantinha relação com o narcotraficante Alexander Pareja.

Hirano nega acusações formais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e afirma que os valores das cotas recebidas foram “roubados”. Agora, ele foi convocado pela CPI do Crime Organizado para prestar esclarecimentos sobre sua conexão com Botelho e o suposto esquema de inflacionamento de ativos.

A fonte original da matéria é o Estadão. Para ler o texto completo, acesse: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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