A IG4 Capital, nova controladora da Braskem, prepara um movimento estratégico para reequilibrar as contas da gigante petroquímica. O plano consiste em acelerar negociações com credores para protocolar um pedido de recuperação extrajudicial, medida que visa proteger a empresa contra cobranças imediatas de dívidas.

A companhia enfrenta vencimentos de títulos previstos para julho e agosto, e a intenção é evitar o pagamento desses juros neste momento. A reestruturação financeira torna-se prioritária diante de um cenário de restrição de liquidez que afeta a operação, conforme divulgado pelo Estadão.

Com essa estratégia, a empresa terá até 90 dias após o pedido oficial para apresentar um plano definitivo aos seus credores. O objetivo é estabelecer um acordo que permita a sustentabilidade do negócio a longo prazo, superando as dificuldades financeiras atuais.

Reestruturação financeira sob nova gestão

O processo ganhou força após a conclusão da transferência de controle da Novonor na Braskem para a IG4 Capital. Agora, a gestão foca na apresentação de um plano de recuperação que já conta com alinhamento junto à Petrobras para viabilizar a reestruturação da dívida.

A dívida total da companhia atingiu US$ 9,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 47 bilhões. Se confirmada, essa será uma das maiores recuperações extrajudiciais da história do país, perdendo apenas para o caso da Raízen, que possui uma dívida consolidada de R$ 65 bilhões.

Desafios de liquidez e operação

A petroquímica lida com sérias restrições de caixa que impactam diretamente sua capacidade operacional. A diretora de Relações com Investidores, Rosana Avolio, destacou que a empresa revisa constantemente suas decisões frente aos preços internacionais do setor e impactos geopolíticos.

O novo presidente da empresa, Helcio Tokeshi, deve liderar as medidas para melhorar o Ebitda e as margens da companhia. A experiência da IG4 em processos longos de recuperação, como visto na CLI e na Iguá, é a base para a estratégia de virada financeira planejada para a Braskem.

Solução para subsidiária mexicana

Paralelamente ao cenário brasileiro, a subsidiária Braskem Idesa busca uma solução jurídica nos Estados Unidos. O plano é realizar um pedido de recuperação judicial via Chapter 11, contando com um pré-acordo entre os credores para resolver o endividamento no México.

As negociações envolvem o empresário mexicano Carlos Slim, que detém parte da dívida e acionistas minoritários na operação. O papel da Petrobras e de sua presidente, Magda Chambriard, tem sido decisivo para impedir que o controle da subsidiária seja perdido durante o processo de capitalização.

Histórico de tentativas de venda

A mudança de controle encerra um ciclo de anos de tentativas frustradas de venda da participação da Novonor. Grandes players globais, como o grupo LyondellBasell e a Adnoc, desistiram de adquirir a companhia devido a incertezas sobre o passivo e questões operacionais no passado.

Hoje, a estrutura de controle é exercida por meio de um FIP em conjunto com a estatal brasileira. A fonte original é o [Estadão](https://www.estadao.com.br/economia/ig4-recuperacao-extrajudicial-braskem/).

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