O governo federal lançou o Desenrola 3.0 com a meta ambiciosa de renegociar cerca de R$ 150 bilhões em dívidas acumuladas. O programa surge como um alívio fundamental para as famílias que buscam limpar o nome no mercado.
No entanto, especialistas alertam que o sucesso da medida depende de fatores que vão além do simples perdão de juros. Sem mudanças reais na forma como consumimos, o ciclo de inadimplência pode acabar se repetindo em breve.
O foco central agora recai sobre a urgência de novas normas de concessão e a aplicação prática da educação financeira no dia a dia dos brasileiros, conforme divulgado pelo Estadão.
O desafio do Desenrola 3.0 e a armadilha do crédito fácil
O fim dos antigos carnês e a era digital
No passado, o endividamento não era tão generalizado porque predominavam os carnês de crediário. A obtenção desse crédito dependia de uma análise criteriosa da situação financeira real do consumidor interessado no produto.
Com a ascensão dos marketplaces e das compras online, o cenário mudou drasticamente. Atualmente, o pagamento via Pix ou cartões de crédito ocorre sem qualquer avaliação prévia da capacidade de pagamento de quem está comprando.
O uso indiscriminado dos cartões gera a falsa percepção de uma renda inexistente. Esse dinheiro de plástico acaba sendo um convite perigoso para que as famílias gastem muito além do que realmente podem arcar mensalmente.
Regras mais rígidas para a concessão de crédito
O Banco Central já estuda medidas para vincular a oferta de crédito a garantias reais. Um dos modelos analisados é o de Singapura, onde o limite de crédito sem garantia é baseado estritamente no salário anual recebido.
Oferecer limites de cartão muito superiores à renda mensal é apontado como um dos grandes vilões. Ajustar essa concessão à capacidade de pagamento é essencial para reduzir o endividamento das famílias no longo prazo.
Para que o Desenrola 3.0 funcione, é preciso que as instituições financeiras e o comércio colaborem. Campanhas nacionais de conscientização são fundamentais para que o crédito seja usado como ferramenta, e não como fardo.
O comportamento e o viés psicológico do consumo
Especialistas comparam o ato de consumir ao ato de dirigir um veículo. É necessário dominar habilidades específicas para não perder o controle, algo que a educação financeira busca ensinar de forma prática e direta.
Sem esse suporte educativo, novos programas de renegociação serão necessários no futuro. O consumo possui um forte viés psicológico, onde muitas vezes compramos itens supérfluos apenas para buscar um bem-estar momentâneo.
Um exemplo citado mostra pessoas que buscam ajuda em bancos de alimentos, mas mantêm gastos altos com veículos. É um desafio cultural e econômico que precisa ser enfrentado com máxima urgência para o equilíbrio do país.
A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode ler a matéria completa através do link: https://www.estadao.com.br/economia/claudio-considera/sem-normas-para-o-credito-nem-educacao-financeira-mais-desenrolas-a-vista/



