A maioria dos credores rechaçou a proposta apresentada pelo BTG Pactual, via fundos de investimentos, para comprar a fatia detida pela Oi na V.tal por um valor abaixo do preço mínimo previsto no edital. Segundo fontes, a recusa partiu de 92,1% dos credores que tinham direito a voto. Só 6,2% defenderam a aprovação, enquanto outros 1,7% se abstiveram, conforme consta em manifestação encaminhada à Justiça. Os votantes têm R$ 3,4 bilhões a receber da operadora, que passa por sua segunda recuperação judicial.

No início deste mês, os fundos do BTG Pactual ofereceram R$ 4,5 bilhões para arrematar a fatia de 27,5% detida pela Oi na V.tal. O montante ficou 63% abaixo do mínimo estabelecido no edital, que era de R$ 12,3 bilhões. Esse é o principal ativo que sobrou na Oi e foi colocado à venda para quitar as dívidas remanescentes da operadora.

A oferta dos fundos do BTG também prevê pagamento em dinheiro, em parcela única, com depósito em uma conta sob custódia (conta escrow) para pagar os credores conforme a ordem prevista no plano de recuperação da operadora. Isso desagradou credores, que veem aí o banco no controle dos pagamentos – mas essa tese não foi acolhida pela Justiça.

Negativa não põe fim à proposta

A recusa parcial, entretanto, não põe fim à oferta dos fundos do BTG Pactual. A Coluna apurou que a recusa partiu do grupo de credores que vive uma batalha com a Oi, tendo sido acusados de atuar em causa própria quando estiveram no comando da operadora. Entre eles estão Pimco, SC Lowy e Ashmore, que também defendem a troca das dívidas por uma participação na V.tal em vez da venda do ativo via leilão. No entanto, esse grupo teve seus créditos arrestados pela Justiça justamente devido a essas disputas.

Com isso, há quem diga que tais credores terão os votos desconsiderados por haver aí um conflito de interesses. A princípio, não havia veto para sua manifestação. Já com o andar do processo, caberá à juíza do caso legitimar ou descartar seus votos. Se esse grupo for excluído da contagem, o resultado seria uma aprovação da oferta por 66% dos credores “não conflitados”. Se isso se confirmar, a compra da fatia da Oi na V.tal pelos fundos do BTG Pactual deverá prosperar.

O leilão realizado no começo de março foi paralisado temporariamente porque o valor ofertado não atingiu o mínimo previsto no edital. A partir daí, os credores ganharam um tempo para avaliar se aceitam ou não a oferta. Uma nova audiência está marcada para o dia 30 de março. Até lá, a Oi, os administradores judiciais e a promotoria deverão emitir suas posições. As partes não comentaram o caso, que corre em segredo de justiça.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 23/03/2026, às 12:55

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Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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