A implementação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia enfrenta um entrave logístico importante logo após a sua entrada em vigor. A falta de um consenso entre os países sul-americanos impediu a definição sobre como serão divididas as cotas de exportação com tarifas reduzidas.

Embora a retirada de taxas para produtos agropecuários tenha iniciado no último dia 1.º, o cenário ainda é de incerteza para os produtores. O governo brasileiro trabalha para destravar as negociações, conforme divulgado pelo Estadão.

O ponto central do conflito reside na exportação de carne bovina para o bloco europeu. A resistência do Paraguai em aceitar a divisão proporcional ao mercado tem gerado atritos que podem postergar uma definição definitiva apenas para o ano de 2027.

Entenda o impasse sobre a carne bovina

O volume negociado prevê uma cota inicial de 99 mil toneladas de carne bovina com tarifa reduzida de 7,5%. O Paraguai, atualmente na presidência temporária do bloco, defende uma divisão igualitária, buscando 25% do total, enquanto o Brasil resiste à mudança.

Historicamente, um acordo do setor privado estabelecia que o Brasil ficaria com 42,5% do volume, seguido pela Argentina com 29,5%, Uruguai com 21% e Paraguai com 7%. Essa lógica baseia-se na capacidade produtiva e no histórico de vendas de cada nação.

Peso do Brasil na balança comercial

Representantes do setor pecuário destacam que o Brasil abate cerca de 40 milhões de animais por ano, número vastamente superior aos 2,3 milhões do Paraguai. A Abiec reforça que a divisão deve considerar critérios como escala e habilitação sanitária.

Para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, o objetivo é garantir que a cota seja utilizada integralmente. O receio é que uma divisão puramente aritmética leve à subutilização do potencial de exportação do acordo comercial.

O impacto de Itaipu nas negociações

Fontes do governo brasileiro indicam que a postura paraguaia pode estar ligada à revisão do contrato de Itaipu. A pressão política externa ao acordo comercial estaria dificultando o avanço nas reuniões técnicas entre os quatro países do Mercosul.

Enquanto o consenso não é alcançado, o governo adotou o modelo FIFO (First-In, First-Out). Na prática, os exportadores que chegarem primeiro ao bloco europeu terão prioridade na preferência tarifária durante todo o decorrer deste ano.

Posicionamento oficial do governo

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços declarou que as medidas para a implementação do acordo continuam em curso. Até que haja uma definição conjunta, cada país segue utilizando os seus próprios procedimentos internos.

A pasta destacou que o volume sob disputa representa uma fatia pequena do comércio total. O impacto das cotas é limitado a cerca de 4% das exportações, sendo que a maior parte das trocas será feita com redução tarifária sem restrições quantitativas.

A fonte original é o Estadão e a matéria completa pode ser acessada em https://www.estadao.com.br/economia/mercosul-impasse-paraguai-divisao-cotas-acesso-uniao-europeia/

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