A Vale está redefinindo sua estratégia comercial ao ampliar a capacidade de “customizar” o minério fora do Brasil. A iniciativa, chamada de portfólio flexível, busca atender às demandas específicas de cada cliente, variando qualidade, composição e preço.

Segundo o vice‑presidente executivo comercial e de desenvolvimento da empresa, Rogério Nogueira, a nova fase inclui a criação de mais unidades de concentração e pontos de blendagem ao redor do mundo, além da ampliação do fornecimento de minério de terceiros para gerar produtos diferenciados.

O objetivo é ser o player que produz “high grade” quando o mercado paga por isso e um produto mais simples quando a demanda pede, mantendo a flexibilidade e maximizando valor, conforme entrevista ao Estadão/Broadcast.

Portfólio flexível: da alta qualidade ao mid grade

Por que a Vale mudou a filosofia do alto teor?

“O mantra do alto teor prevaleceu por muito tempo, mas percebemos que nem sempre o mercado paga por esse ‘high grade’. Cada cliente tem a sua necessidade, então decidimos mudar a filosofia e criar flexibilidade”, afirmou Nogueira.

Como funciona a flexibilidade do portfólio?

“É ter mentalidade de atender o cliente e maximizar valor. Consigo tirar um produto na mina, misturá‑lo em outro ponto e direcionar o minério mais rico para quem demanda”, explicou o executivo.

Expansão internacional de blendagem

A Vale já opera em todos os continentes, com capacidade de blendagem na China, Malásia, Oriente Médio e EUA. “Temos frota de navios grandes e pequenos, minas de qualidades diferentes e plantas de pelotização, o que nos permite oferecer produtos variados”, destacou.

Mercado reativo ao Mid Grade Carajás

O lançamento do Mid Grade Carajás, produto de médio teor, recebeu boa aceitação. Em 2025 foram vendidas 35 milhões de toneladas e a meta para este ano é alcançar quase 50 milhões.

Desafios globais e perspectivas até 2026

Descarbonização e CBAM

A tendência de descarbonização é irreversível. A entrada em vigor do mecanismo de ajuste de fronteira da União Europeia (CBAM) reforça investimentos em processos mais limpos na Europa, Japão e Coreia.

Previsão de demanda

Para 2026, a Vale espera estabilidade na demanda da China, com produção de aço em torno de um bilhão de toneladas, enquanto Índia, Europa e EUA mostram crescimento moderado.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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